Sexóloga e colunista do Delas orienta: é importante não se humilhar, pois a admiração é um estímulo potente para o sexo

"Há um ano descobri que meu companheiro tinha uma amante mais jovem. Por ele, aceitei viver uma relação a três. Quando ela engravidou meu mundo caiu, mas segui ao lado dele. Agora ela foi embora e ele me diz que só sente tesão por ela. Tento seduzi-lo, mas vejo que não é suficiente. Não sei o que fazer. Minha razão pede pela separação e meu coração diz que ele é o homem da minha vida. Fátima, você pode sugerir algo para melhorar nossa união, nossa vida sexual?"

Cara leitora, depois de ler sua história entendi o quanto essa situação está sendo difícil para você. E, apesar dos seus esforços para segurar esse homem ao seu lado, hoje, ele se esvai entre seus dedos.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

O fato do seu parceiro não sentir mais tesão por você – a excitação sexual e a motivação para transar – pode ter razões diferentes do que você imagina. O tesão não surge somente do apelo erótico ou da atração física. A admiração pelo outro como pessoa – o trato nas relações, a postura, as maneiras de atuar na vida – é um estímulo potente para a motivação sexual. A rotina excessiva na vida do casal e certos aspectos da intimidade podem interferir negativamente no tesão .

A experiência clínica mostra que a ausência de tesão pode vir acompanhada do desejo de viver algo novo, com outra pessoa ou de ter uma outra vida. A parceria, a vontade de ficar juntinho, de fazer projetos a dois, deixa de existir. Em alguns casos, o sentimento de amor ou o carinho pelo outro pode ainda estar presente, mas não é suficiente.

Eu poderia dar algumas dicas para tentar reorientar a atenção dele, em sua direção, mas não acredito que funcionará. Ele vive o impacto da separação, da rejeição e do abandono pela amante. Com certeza, não pode suprir suas necessidades afetivas e muito menos reorganizar o relacionamento nesse momento. Ele precisa reavaliar sua vida afetiva, seus sentimentos e descobrir quem ou o que realmente, deseja viver daqui para frente. Talvez, precise ficar sozinho.

Quanto a você, já se sentiu humilhada e desvalorizada nessa história e agora basta. Volte a atenção para si e não mais para ele. Em nome desse “amor” você se abandonou e deixou de se amar. Está na hora de dizer: “para, eu quero descer”. Recupere sua autoestima e reorganize sua vida.

Leia também: O que a autoestima pode fazer por você

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br .

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