Fátima Protti explica o que é esse problema, que pode afetar 12 em cada cem mulheres

“Minha esposa só pensa em ter relações sexuais com preservativo e isso me deprime. Eu detesto usar camisinha e às vezes só de tentar colocar, acabo perdendo a ereção. Outras vezes, consigo a penetração, mas nem sempre o orgasmo é prazeroso. Minha esposa alega que o esperma lhe causa alergia dentro da vagina. Isso pode ocorrer? É possível amenizar isso, para que ela possa se sentir mais confortável?”

Em minha experiência clínica não há registro de pacientes com essa queixa. Mas, isso pode ser explicado por dois fatores: o problema é de ordem orgânica e há falhas no diagnóstico médico, pela falta de reconhecimento da doença. Como consequência, muitas mulheres não dão a devida importância aos sintomas.

Um estudo realizado pelo médico Michael Carroll, professor de ciência reprodutiva da Manchester Metropolitan University, na Inglaterra, revela que o problema afeta 12 em cada 100 mulheres, na sua maioria com idades entre 20 e 30 anos. O número pode ser maior, já que os sintomas podem ser confundidos com inflamações comuns de pele.

Em geral, os sintomas apresentados são coceiras, inflamações, dores e irritações que surgem após o contato com o sêmen. O médico diz que em casos extremos a alergia pode provocar um choque anafilático.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

A alergia é causada por uma proteína existente no fluído seminal e, não especificamente, pelo espermatozoide.

Andrea Wallrafen, diretora da Associação Nacional de Alergia e Asma (DAAB) de Mönchengladbach, Alemanha, descreve outros sintomas que o sêmen pode gerar nestes casos: vômitos, diarreia, erupções cutâneas e inúmeras reações alérgicas.

Além disso, alguns médicos acreditam que casos não explicados de infertilidade podem ter como origem a alergia ao esperma.

Há um consenso médico de que a melhor maneira de evitar a alergia é com o uso da camisinha. Porém, para as mulheres que desejam engravidar o contraceptivo é um grande problema.

Pela idade de vocês, parece que essa não é a questão. Nem tampouco, o problema deve ser recente, a não ser que tenham se unido há pouco tempo. Independente desses aspectos, o fato é que você, caro leitor, não se adapta ao uso da camisinha.

Há casos em que o preconceito ao uso, provoca resultados negativos durante a transa. Mas, tem homens que reclamam da perda da sensibilidade, têm sensação de calor, pressão e alteração no prazer, por não sentir a umidade e a textura vaginal.

Uma boa medida é verificar o tipo de camisinha em uso, por exemplo, se o tamanho está de acordo com o tamanho do pênis. Uma camisinha apertada reduz o fluxo sanguíneo e provoca a perda eretiva. As mais finas, auxiliam na sensibilidade.

Leia: Você sabe mesmo usar direito a camisinha?

Além disso, sua esposa deve conversar com o ginecologista sobre a possível indicação de um antialérgico a ser usado antes de cada transa, para amenizar os sintomas.

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* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br .

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