Colunista do Delas orienta leitora sobre como abordar o assunto com o marido e dá dicas para a prática

"Oi Fátima, sou casada há quase quatro anos e o sexo com o meu marido é bom, mas eu queria experimentar sexo anal e não sei como dizer isso a ele. Tenho medo que ele pense mal de mim. Não sei como tocar no assunto sem causar constrangimento para ele e para mim. Me ajuda?"

Apesar da maior liberdade sexual, alguns tabus ainda estão presentes entre as práticas sexuais, o sexo anal é um deles.

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Historicamente, encontramos citações bíblicas associando sexo anal à sodomia. Na idade média, todas as práticas que levavam apenas à obtenção do prazer e ao erotismo eram condenadas, exceto a que permitia a procriação. Na Suma Teológica, obra escrita por São Tomás de Aquino, é considerado pecado tudo que vai contra a natureza: masturbação, sexo com animais, sexo oral e anal.

Sexo anal: tema ainda é tabu entre os casais
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Sexo anal: tema ainda é tabu entre os casais

As regras de comportamento surgem com a formação de conceitos morais e crenças religiosas. Elas regulam nossa maneira de pensar e agir no sexo. Há bem pouco tempo o sexo oral deixou de ser um tabu.

Considerando esses aspectos não é difícil entender o receio, da leitora e de tantas outras pessoas, diante da manifestação de seus desejos e fantasias.

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Tanto homens, quanto mulheres têm prazer com o anal. Fantasias de dominação, poder e conquista podem ser experimentadas pelo homem, durante a prática. Já para a mulher, a fantasia de submissão e a superestimulação do ânus podem gerar grande excitação e orgasmo.

Existem várias maneiras de propor ao parceiro a prática do sexo anal. A mais direta é encostar o pênis no ânus e pedir para ele brincar, estimular o local, sem introduzir. Vocês podem gostar da brincadeira e querer um pouco mais.

Durante uma conversa descontraída após a transa, diga que leu numa matéria da internet que em 1927, nos Estados Unidos, havia a comemoração do mês do sexo anal. Esse pode ser o “start” para falarem sobre o assunto.

Se o casal gosta de joguinhos durante as preliminares, vai uma dica: cada um escreve num papelzinho uma fantasia e na hora da transa os dois realizam os desejos revelados.

Para iniciantes na prática anal, seguem alguns cuidados:

1 - Evacuar antes previne que as fezes surjam durante a prática, evitando uma situação constrangedora;

2 - A iniciação deve ser devagar, principalmente com relação aos movimentos durante a penetração. Às vezes é preciso algumas transas para a introdução total do pênis;

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

3 - De início ele deve lambuzar o dedo indicador com gel lubrificante à base de água e fazer movimentos circulares ao redor do ânus. Introduzir devagar o dedo para estimular e dessensibilizar o local;

4 - Lubrificar bem o pênis com o gel e introduzir aos poucos. Para ter maior prazer, estimule o clitóris durante a penetração. Se sentir dor, pare;

5 - Posições, de lado (colherzinha) ou ela por cima ajudam a controlar a penetração e os movimentos. Inicialmente, evitar aquelas em que o pênis entra todo, para não causar incômodos ou dores;

6 - Nunca passar do coito anal para o vaginal sem antes higienizar o pênis ou trocar a camisinha, o que evita infectar a vagina com bactérias;

7 - Higienizar bem o local com água e sabonete após o sexo anal. Ele deve urinar após a transa, para limpar a uretra, e lavar o pênis;

8 - Usar a camisinha. Ela suaviza o atrito, previne a contaminação do pênis por bactérias da flora intestinal e as doenças sexualmente transmissíveis.

Algumas mulheres preferem sozinhas iniciar a prática anal, com a ajuda de um vibrador ou pênis de silicone. É uma forma de descobrir se há prazer, antes de criar expectativas no parceiro. É desaconselhável o uso de qualquer objeto que não sejam os indicados para a prática.

++ MAIS: Veja a seguir as principais fantasias sexuais das mulheres:


* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br

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