Terapeuta e colunista do Delas orienta leitora aflita com as dificuldades para retomar a vida sexual após o parto

"Tive bebê no ano passado e estou com dificuldades para retomar a vida sexual com meu marido. Estou muito cansada, não tenho vontade de fazer sexo e ainda por cima sinto dor e ardência durante a relação. Isso é normal? Como posso enfrentar esse problema?"

Queda de libido após o parto: hormônios da amamentação reduzem o desejo sexual
Thinkstock/Getty Images
Queda de libido após o parto: hormônios da amamentação reduzem o desejo sexual

Não é novidade que durante a gravidez, a mulher passa por mudanças físicas, hormonais, psicológicas e emocionais .

Alterações hormonais são sentidas intensamente nos primeiros 3 meses de gestação, sendo em parte responsável pela instabilidade emocional. Algumas grávidas já relatam mudança na libido, principalmente quando surgem os vômitos, enjoos , cansaço e sono.

Sentimentos de medo, insegurança, ansiedade e alegria, todos juntos e misturados, estão frequentemente presentes.

É um período em que a mulher fica mais sensível, mexe com a autoestima e a disposição. Na medida em que a barriga cresce, muitas não se sentem sensuais e desejáveis. Com outras, acontece o contrário, a feminilidade fica em alta.

No segundo trimestre, o desejo sexual melhora, mas varia de mulher para mulher porque a libido está diretamente ligada à autoestima.

Próximo ao parto, a vida sexual pode ficar ruim. Todos os sentimentos e emoções ficam aumentadas. Incômodos físicos pelo crescimento da barriga, cansaço, dores lombares irão interferir na motivação e disposição sexual.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

As semanas seguintes ao nascimento da criança são um período de acomodação da mulher no novo papel de mãe. O foco principal dela é o filho e o sexo fica em segundo plano.

No período de quarentena o coito deve ser evitado, porque o útero está voltando ao seu estado natural, mas isso não impede que a masturbação, as carícias e o sexo oral aconteçam.

Durante a amamentação, as taxas de estrogênio diminuem e a lubrificação fica comprometida, dificultando o coito. Incômodos e dores podem aparecer.

Os cuidados com a criança e a amamentação demandam muito gasto de energia e provocam cansaço, inibindo a vontade sexual. Nesse período o apoio e a paciência do parceiro são importantes.

Cara leitora, não sei em que momento você está, mas com certeza algumas medidas podem ser tomadas.

Procure dividir sua atenção entre momentos com a criança e você. Volte aos cuidados com seu corpo, retome aos poucos a atividade física, cuide das unhas, do cabelo e da pele.

Recorde lembranças de ótimas transas com o parceiro, isso ajudará na excitação, antes do encontro sexual. Momentos de carinho e romance entre o casal ativam o erotismo.

Provocações eróticas, durante o dia, são um ótimo estimulante para a sedução. Ir para o sexo de forma automática é extremamente broxante.

Veja com o (a) ginecologista, o uso de um creme vaginal para corrigir o ressecamento ou um lubrificante a base de água para aliviar o atrito durante o coito, pelo menos nesse período. Com as dores, o sexo fica menos atrativo e a libido diminui ou some. Uma coisa interfere na outra.

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br

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