Fátima Protti, sexóloga e colunista do Delas, responde a leitora frustrada com a atitude do parceiro na cama

"Vivo com meu parceiro há pouco tempo e me sinto muito feliz ao lado dele. O problema é que ele não gosta que eu tome a iniciativa na hora da relação sexual. Ele diz que se sente obrigado e não fica confortável com essa situação. Não posso me insinuar, falar durante o sexo e sempre tenho que esperar pela iniciativa dele. Isso é normal? Como posso lidar com este problema da melhor maneira possível?"

Descompasso: muitos homens ainda veem com preconceito a iniciativa feminina no sexo
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Descompasso: muitos homens ainda veem com preconceito a iniciativa feminina no sexo

Cara leitora, talvez você possa encontrar uma explicação para o seu problema ao refletir sobre algumas questões.

As mudanças de comportamento, após a liberação sexual feminina, ainda estão sendo discutidas e incorporadas gradativamente por homens e mulheres.

O estereótipo da mulher comportada, honesta, recatada ainda é definido a partir de certos comportamentos sexuais e valorizado em nossa sociedade. Muitas, procuram atender a essas expectativas reprimindo a espontaneidade ou se colocando passivas durante o sexo.

Porém, tem aumentado o número de mulheres que se sentem à vontade para revelar seus desejos, comandar a transa, iniciar o sexo, criar fantasias, usar frases picantes, apresentar práticas sexuais e brinquedos eróticos para seus parceiro. Estudos revelam que a iniciativa sexual feminina, promove maior satisfação, estimula os impulsos do parceiro e o desejo por ela.

Hoje, muitos homens se queixam da falta de iniciativa delas, antes ou durante a transa. Quando o contrário acontece, se sentem desejados, amados, viris e bons de cama por despertar o desejo em suas parceiras. É uma demonstração de que gostam de fazer sexo com eles, e isso aumenta a autoestima.

Porém, ainda há aqueles que vêm a iniciativa feminina com preconceito. Acreditam que a conquista e a novidade no sexo tem que partir deles. Além disso, alguns se sentem pressionados a transar, porque não podem “negar fogo”. Nesses casos, a parceira precisa ter atitudes sutis ao expressar suas vontades e desejos, se fingindo de seduzida. Depois de algum tempo, o sexo se torna chato e monótono para ela.

Uma mulher ousada na cama pode provocar inseguranças em muitos homens, interferindo no desempenho sexual.

Independente do aspecto que deu origem ao seu problema, a conversa com o parceiro é o início para a solução.

Aos poucos, fale do seu desejo em compartilhar com ele as descobertas no sexo, do seu prazer em seduzi-lo e do tesão que sente ao falar durante a transa. Diga, que ele pode recusar o sexo diante da sua iniciativa, e que você entenderá numa boa.

O problema deixará de existir quando seu parceiro deixar de lado as regras que padronizam o comportamento sexual e viver o sexo com você, com maior espontaneidade.

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br

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