Sexóloga e colunista do Delas, Fátima Protti esclarece dúvida de leitora que não consegue atingir o orgasmo ao se relacionar com o parceiro

“Somos jovens, iniciamos nossa vida sexual há um mês e temos dificuldades para chegar ao clímax. Não consigo ter orgasmo e ele às vezes perde a ereção. Nossas transas acontecem com certa tensão, às escondidas. Parei a pílula porque acho que ela impede o orgasmo, apesar de chegar lá quando me masturbo sozinha. Devemos optar por medicamentos? Como falar para ele?”

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"Não consigo chegar ao orgasmo": comunicação entre o casal é primeiro passo para sexo de qualidade

Cara leitora, a tensão no sexo pelas transas às escondidas pode ser a explicação para a sua anorgasmia (falta de orgasmo) e a perda eretiva do seu namorado.

Pelo que pude entender, vocês têm evitado conversar sobre a perda eretiva e sua dificuldade para ter orgasmos. Parece que tem encenado os orgasmos, como fazem muitas mulheres, mas os problemas continuarão enquanto houver o silêncio.

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Como você, algumas pacientes reclamam da diminuição da sensibilidade durante as carícias, principalmente nos genitais, com o uso do anticoncepcional. Porém, no seu caso, acredito que isso não ocorra, porque você consegue ter o orgasmo com a masturbação.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
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A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

A ausência orgástica na relação a dois pode revelar alta expectativa da mulher para atingir o orgasmo, desvio da atenção das sensações corporais, inabilidade do parceiro para as carícias ou para as práticas sexuais. A ansiedade do homem para o coito pode impedir que a mulher chegue ao clímax quando não está muito excitada.

Meditação promete 15 minutos de orgasmo

Transar no carro ou em local onde o casal pode ser surpreendido gera grande ansiedade e encurta o tempo para uma estimulação adequada, impedindo que a mulher tenha a máxima excitação.

Ambos ficam sob tensão, perdem o foco da transa, das fantasias e das sensações. No caso do homem, dependendo da quantidade de adrenalina liberada pelo estresse devido à preocupação de terminar rapidamente a transa, há um comprometimento da ereção.

A preocupação com uma possível gravidez, devido à interrupção da pílula, pode ser outro fator de tensão. Converse com seu (sua) ginecologista sobre outros métodos preventivos que contribuam para sua maior segurança e tranquilidade.

Medicação não é a indicação para a resolução dos seus problemas. Tenha uma conversa franca, tranquila, sobre a tensão de vocês durante a transa. Optem por um lugar reservado, onde poderão curtir de fato as delícias de um bom sexo.

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente".

Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br

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