Sexóloga e colunista do Delas, Fátima Protti esclarece dúvida de leitor que lida com a disfunção erétil desde a primeira vez

"Tenho 23 anos e sofro com problemas de perda da ereção há muito tempo. Acredito que é psicológico, já que na minha primeira relação sexual eu perdi a ereção. Passei a ter medo de fazer sexo e isso me deixa desanimado, mesmo às vezes tendo ereção forte. Pode ser um problema físico? Tem cura? Como posso resolver?"

70% dos casos de disfunção erétil são de ordem psicológica e emocional, principalmente na população jovem
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70% dos casos de disfunção erétil são de ordem psicológica e emocional, principalmente na população jovem

Caro leitor, pelo que descreve há uma grande possibilidade da perda eretiva ser resultado da insegurança e da ansiedade pelo medo do fracasso.

A disfunção erétil é um problema que atinge muitos homens e, consequentemente, casais. Caracteriza-se pela incapacidade do homem de obter ou manter uma ereção adequada até a finalização do sexo, causando significativo sofrimento e problemas em suas relações. O grau da disfunção varia de mínima a severa e pode atingir homens de diversas faixas etárias.

É certo que com o aparecimento do Viagra (Sildenafil), a primeira pílula lançada para o tratamento da disfunção erétil, seguida por outras com o mesmo propósito, muitos homens retomaram sua vida sexual de forma satisfatória.

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Entre as causas orgânicas da disfunção estão o diabetes, o cigarro, a hipertensão arterial, problemas vasculares e hormonais, alterações anatômicas do pênis, entre outras. Mas sabemos que 70% das causas são de ordem psicológica e emocional, principalmente na população jovem.

O Estudo sobre a Vida Sexual do Brasileiro, realizado em 2002 em 13 estados brasileiros sob coordenação da médica psiquiatra Carmita Abdo – fundadora do ProSex – Projeto de Sexualidade do Hospital das Clínicas, revelou que, dos 2832 indivíduos pesquisados, 34,4% dos homens na faixa entre 18 e 25 anos apresentavam DE mínima, 10,7% moderada e 1,1% completa ou severa.

Algumas perdas eretivas podem aparecer na adolescência, em decorrência de exigências internas e externas para obter uma boa performance sexual na primeira transa -- o que nem sempre acontece e é normal.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas dos leitores e leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas dos leitores e leitoras

Expectativas para satisfazer e ser aprovado pela garota, culpas relacionadas a certos aspectos da sexualidade e medo da rejeição podem gerar inseguranças no sexo e, como consequência, ter a primeira falha, produzindo muita angústia.

A partir daí o jovem pode ficar ansioso frente a novos encontros sexuais pelo medo do desempenho ou fracasso. Com a preocupação e a atenção voltadas para o funcionamento do pênis, novas falhas podem ocorrer ou levar a ejaculações rápidas, para não falhar.

Essa ansiedade passa a ser uma inimiga da sua ereção, porque libera, entre outras substâncias, uma grande quantidade de adrenalina, impedindo o relaxamento da musculatura do pênis, a dilatação das artérias e, consequentemente, a entrada de sangue. Ou provocando sua saída.

Para que o homem tenha um sexo satisfatório é necessário que ele esteja despreocupado, relaxado, envolvido pelo erotismo, pelo seu prazer corporal geral e no de sua parceira.

A terapia sexual, a partir de técnicas específicas, pode ajudá-lo na identificação de conflitos e pensamentos automáticos durante a transa, no controle da ansiedade, no resgate da autoconfiança e autoestima. Procure também um urologista para uma avaliação e descartar ou tratar uma possível causa orgânica.

* Fátima Protti é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente".

Escreva para a colunista: delas_amoresexo@ig.com.br

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