Sexóloga e colunista do Delas, Fátima Protti auxilia leitora que tem dificuldades durante o sexo

"Nunca consegui chegar ao orgasmo, nem sei como fazer. Tenho uma relação boa, mas não chego nunca a gozar. Tenho 52 anos, 32 anos de casada. O que fazer?"

Falta de conhecimento do próprio corpo dificulta o orgasmo feminino
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Falta de conhecimento do próprio corpo dificulta o orgasmo feminino

Tenho recebido no consultório mulheres com queixas variadas em relação ao orgasmo. Algumas têm uma ótima excitação mas, quando estão chegando lá, perdem completamente. Outras têm baixa ou nenhuma excitação, dificuldade para ter orgasmo vaginal ou com a masturbação. Em geral, existe uma expectativa e posteriormente uma frustração por não ter o prazer orgástico.

A falta de atenção ou foco para as sensações corporais tem sido um dos principais fatores que impede a mulher de se excitar suficientemente para gozar. Pensar em outras atividades ou se preocupar com acontecimentos do dia, durante a transa, provoca um desligamento das sensações corporais, da fantasia, do erotismo a dois.

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A expectativa de ter o orgasmo também interfere na excitação. Por exemplo, quando a excitação está bem alta e a mulher começar a pensar: “será que é agora?”

O que mais chama minha atenção é a falta de conhecimento do próprio corpo, principalmente dos genitais; a dificuldade para se autoestimular e o contato com o clitóris, já que o toque ainda é um tabu para algumas mulheres.

Com a masturbação aprendemos muito sobre nossas sensações corporais e formas de estimular o clitóris. Nem todas as mulheres têm orgasmo com o coito (penetração vaginal), o que é normal, e nesse caso se faz ainda mais necessária a estimulação clitoriana.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas das leitoras

Recomendo um exercício que ajuda a detectar a falta de foco nas sensações, o desvio da atenção durante a transa, a resistência para se entregar ao orgasmo ou à intimidade do corpo.

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Após tomar um banho relaxante, sente-se confortavelmente na cama, feche os olhos, comece a tocar seu rosto de forma carinhosa, desça vagarosamente para pescoço, braços, mamas e outras partes do corpo, até os pés.

Em seguida toque seus genitais. Dê ênfase ao clitóris, acariciando-o com as pontas dos dedos em movimentos circulares e aplicando leve pressão. Ao final do exercício dê uma nota de 0 a 10 para sua excitação. Tente identificar se algo a inibiu ou interrompeu o aumento da excitação.

A falta de atenção para as sensações corporais tem sido um dos principais fatores que impede a mulher de se excitar suficientemente

Outra sugestão é ter uma conversa com o parceiro, perguntando como ele a percebe durante a transa. Geralmente, essas dicas ajudam no autoconhecimento e podem revelar aspectos que impedem a conquista do seu prazer.

Agora, se sozinha você consegue se excitar e chegar ao orgasmo, então o problema está na transa. Neste caso é mais difícil resolverem sozinhos, por isso minha dica é procurar uma terapia sexual.



Fátima Protti  é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista:  delas_amoresexo@ig.com.br

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