Sexóloga e colunista do Delas, Fátima Protti responde dúvida de leitor sobre sexo a três

“Sou casado há cinco anos e, ultimamente, tenho sentido minha esposa muito fria sexualmente. Conversamos algumas vezes sobre o assunto e em uma das vezes ela me falou da sua fantasia sexual: transar com outro homem na minha presença. Não sei o que fazer, ela me ama e eu a amo muito ainda. Será que a realização dessa fantasia irá melhorar o nosso relacionamento?”

A fantasia deve ser do casal, não de um só dos parceiros
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A fantasia deve ser do casal, não de um só dos parceiros

Caro leitor, não há como saber se o ménage resolverá o problema sem uma avaliação melhor do casal. Por outro lado, sempre existe o risco de a experiência ser frustrante ou provocar outros conflitos. É fundamental o diálogo franco entre vocês e uma conversa interna. Lembre-se: a fantasia também tem que ser sua.

As fantasias de um modo geral ativam o desejo, as sensações e ajudam a quebrar a rotina sexual. O ménage à trois, ou sexo a três, é uma dessas fantasias praticadas por casais.

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Apesar dos adeptos defenderem que essa é uma maneira de evitar a traição, nem todos estão prontos para vivenciar algo assim. Sempre digo para os casais: “na fantasia acrescentamos e retiramos coisas, pincelamos com vários tons e o resultado é sempre excitante e sem problemas”.

Mas na realidade esbarramos com nossos limites, que precisamos conhecer e resolver. Os medos, preconceitos, tabus, valores, inseguranças são alguns dos fatores que interferem ou determinam nossas escolhas. A rejeição pela prática mostra sempre impedimentos pessoais, na sua maioria justificados pela educação, religião e sociedade.

Embora o ménage seja outra forma de obter prazer sexual, ele não se insere na união romantizada, onde a exclusividade sexual ainda é esperada de cada um dos cônjuges.

A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas dos leitores
Edu Cesar/Fotoarena
A sexóloga e colunista Fátima Protti tira dúvidas dos leitores

Não é fácil para os homens nascidos em uma cultura machista verem sua esposa fazendo e recendo sexo oral, sendo penetrada, acariciada e excitada por outro homem, mesmo que toda a situação o excite. O afeto também pode rolar com toda essa intimidade e fugir do controle. Além disso, para os heterossexuais, o mínimo de contato físico com outro homem, nessas condições, nem sempre é confortável ou aceito, mas em algum momento vai existir.

Para o ménage, o casal precisa estar em sintonia, ter cumplicidade, excelente comunicação, objetivos e regras claras para o encontro. A fantasia não pode ser usada para preencher carências, resolver conflitos, traições, mas sim como uma variação sexual.

Para o ménage, o casal precisa estar em sintonia, ter cumplicidade, excelente comunicação, objetivos e regras claras para o encontro

Insegurança e ciúmes provocam um desastre nessa experiência. É preciso ter autoconfiança, boa autoestima e se sentir seguro com a sua orientação sexual. A fantasia tem que ser dos dois.

Para a escolha do terceiro na relação, alguns aspectos importantes devem ser considerados pelo casal: prefira uma pessoa fora do círculo de amizades, evitando o constrangimento ou desconfianças futuras. Escolha alguém com características que agradam a ambos e defina se ele será bi ou heterossexual.



Fátima Protti  é psicóloga, terapeuta sexual e de casal. Pós-graduada pela USP e autora do livro “Vaginismo, quem cala nem sempre consente". Escreva para a colunista:  delas_amoresexo@ig.com.br

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