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Palavra de Mãe

Thelma Torrecilha escreve sobre a dura e deliciosa tarefa de educar os filhos

é jornalista, especialista em Comunicação Social e Educação, editora do blog Mãe na Web e mãe de três filhos de gerações bem diferentes - com 28, 25 e 3 anos de idade

Boa relação familiar é a melhor prevenção contra as drogas

Educação antidrogas pode começar a partir dos seis anos de idade, mas deve respeitar as particularidades de cada faixa etária

06/06/2011 08:22

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Foto: Getty Images Ampliar

Crianças e adolescentes devem ser monitorados, mas amedrontar não é a solução. Diálogo é a chave para uma boa relação

Não é fácil refletir com tranquilidade, sem dúvida ou sensação de ameaça, quando o assunto é o uso de drogas por crianças e adolescentes. As notícias sobre o avanço no consumo de entorpecentes e o surgimento de novas drogas, mais danosas e mortais, geram um sentimento de impotência, parecem nos colocar em um beco sem saída onde qualquer um pode se tornar usuário. Por isso, achei reconfortante ouvir que a boa relação familiar é o melhor programa de prevenção contra as drogas.

Uma dúvida comum entre os pais é sobre o momento de introduzir esse tema na vida das crianças. Quando deve começar a prevenção contra as drogas? “Desde a mais tenra idade”, disse a Professora da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), coordenadora do Ambulatório de Atendimento ao Adolescente, Denise Michelli Avalone. A maior parte dos estudos científicos preconiza que quanto mais cedo for iniciada a prevenção, melhor.

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Primeiro, é importante investir no desenvolvimento e no fortalecimento dos vínculos afetivos entre pais e filhos. Depois, surgem as conversas. Uma educação antidrogas pode começar a partir dos seis anos de idade, mas deve respeitar as particularidades de cada faixa etária. Inicia-se com a prevenção ao álcool e ao tabaco, deixando as outras substâncias para mais adiante. Antes de conversar sobre as drogas mais pesadas, é preciso ensinar o quanto é importante uma boa qualidade de vida e desconstruir a glamorização do cigarro e das bebidas. Nessa fase, a família transmite valores que serão importantes quando houver o contato com as drogas.

Com crianças pequenas, de acordo com a psicóloga, uma conversa sobre outros tipos de drogas só se justifica quando os pais, algum parente ou pessoa próxima forem usuários e se o consumo interferir de alguma maneira no dia a dia delas. Do contrário, antes dos 10 ou 12 anos, não há curiosidade sobre drogas. Diferente do cigarro, que chama a atenção pelo contato direto com pessoas que fumam e pela presença da fumaça.

Referências a substâncias como maconha, cocaína, crack e oxi só entram nas conversas com adolescentes. Apenas por volta dos 14 anos eles têm como abstrair algumas ideias e entender todo o contexto das drogas. Aprendi muita coisa quando a minha filha entrou na faculdade e começou a trazer para casa detalhes do consumo e dos consumidores que eu desconhecia completamente. Até então, não sabia que “bala” e “doce” são nomes fantasia para diversas drogas.

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A psicóloga garante que a autoestima e o senso de autoproteção são a base para a prevenção e se desenvolvem em relações familiares com segurança, proximidade e intimidade. É necessário preparar os filhos para o enfrentamento de situações de frustração de maneira positiva. A dificuldade para lidar com o negativo aparece na adolescência quando não houve treino durante a infância. O adolescente com uma boa bagagem emocional pode até experimentar droga, mas não fica preso a ela. Depois de saciar a curiosidade, ele sai.

A professora da Unifesp disse que os adolescentes usuários, que não abandonam o consumo depois de um período de curiosidade, costumam dizer coisas muito parecidas: “O meu pai nunca soube do que eu gosto”, “a minha mãe não sabia com quem eu saia, onde eu estava e nunca conheceu os meus amigos”, “o meu pai nunca soube o nome do meu melhor amigo.”

Crianças e adolescentes devem ser constantemente monitorados, mas a psicóloga recomenda que os pais não adotem um modelo de prevenção baseado em amedrontamento. É importante manter sempre a possibilidade de diálogo e de proximidade. “Monitorar não é revirar o armário, vasculhar a mochila, é acompanhar muito de perto, saber o que está acontecendo com o filho”, explicou.

A família precisa identificar quem está propenso a se envolver com drogas para poder intervir nas relações sociais quando necessário. Para ela, os pais não devem se furtar de limitar e impedir amizades ou relacionamentos que coloquem os filhos em risco. Na avaliação dela, muitos pais e mesmo as escolas não falam nem tomam uma atitude preventiva ou corretiva porque não sabem o que falar ou o que fazer. Mas fugir do assunto é pior.

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Sobre o articulista

Thelma Torrecilha - thelma.torrecilha@ig.com.br - é jornalista, especialista em Comunicação Social e Educação, editora do blog Mãe na Web e mãe de três filhos de gerações bem diferentes - com 27, 24 e 3 anos de idade

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