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Negócio de mulher

Marlene Ortega fala sobre carreira e trabalho

é pós-graduada em administração pela FGV-EAESP, diretora da Universo Qualidade e Presidente do Business Professional Women de São Paulo.

Não vamos falar de flores

No mês que comemora o dia Internacional da Mulher, percebemos que ainda há muito caminho a percorrer

19/03/2010 16:43

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Mais do que celebrar os avanços femininos, o mês de março privilegia discussões conscientes sobre o papel da mulher na sociedade. Apesar do progresso evidente nos campos político, social, empresarial, a iniquidade de gênero ainda subsiste, o que significa que a distância entre a situação da mulher e do homem é confirmada pelas estatísticas atuais.

Se de um lado as diferenças de gênero podem ter conotação positiva de complementaridade entre o homem e a mulher, de outro podem ser manipuladas negativamente numa tentativa de submeter um gênero em relação ao outro.

Desde 1975 o dia internacional da Mulher é comemorado pelas Nações Unidas. Tomou-se como marco o ocorrido no dia 08 de março de 1857 quando as operárias de uma fábrica em Nova York entraram em greve para reivindicar a redução do horário de trabalho, o direito à licença-maternidade e a equiparação de seus salários aos dos homens. Essas mulheres, em função de uma ação policial para conter a manifestação, foram trancadas na fábrica e, devido a um incêndio, 129 delas morreram.

Esses e outros registros históricos merecem ser revisitados assim como os indicadores sociais podem oferecer parâmetros para uma avaliação mais crítica, já que o momento favorece. Afinal, as mulheres têm muito a comemorar?

Vamos tomar como exemplo, antes de formular uma resposta, o fato de que a igualdade de remuneração para homens e mulheres foi aprovada pela Organização Internacional do Trabalho no ano de 1951. A despeito disso chegamos ao estágio presente com as mulheres brasileiras atingindo 70% da remuneração masculina. E mesmo com maior escolaridade, a proporção de mulheres em cargos de direção é 1,5 pontos percentuais inferior à proporção dos homens dirigentes.

Além da constante necessidade de qualificação e das pressões no ambiente de trabalho, a maioria das mulheres continua responsável pela realização das tarefas domésticas dedicando em média 20,9 horas semanais contra apenas 9,2 para os homens. A carga é pesada.

São muitos os comparativos possíveis, mas o pior da desigualdade entre os sexos está na violência contra a mulher. A cada 15 segundos, no Brasil, uma mulher é espancada pelo marido ou companheiro de acordo com dados da Fundação Perseu Abramo. De um grupo de entrevistadas, apenas 5% acham que a mulher é tratada com respeito no Brasil (DataSenado, 2009).

Se ainda persistem as desigualdades, a discriminação e a violência contra as mulheres, concluímos que ainda há muito caminho a percorrer. Vamos, então nesse mês de março, em homenagem ao feminino, renovar a luta por uma sociedade verdadeiramente democrática, com igualdade entre homens e mulheres.
 

Sobre o Colunista

Marlene Ortega - marlene.ortega@ig.com.br - é pós-graduada em administração pela FGV-EAESP, diretora da Universo Qualidade e Presidente do Business Professional Women de São Paulo.

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