
A necessidade de mudança nos hábitos de consumo é tema recorrente nas diversas esferas da sociedade. Ao atravessar a crise financeira ao longo de 2009, tivemos a necessidade de rever nossos comportamentos de compras e questionar nossos conceitos sobre estilo de vida.
É importante compreender como estão acontecendo as decisões de consumo em nosso dia a dia. Considera-se que a maior parte das pessoas consome de maneira exagerada. E por que alguns indivíduos consomem tanto? O desejo de ser aceito no grupo de referência, a vontade de ganhar status, de sobressair-se, o desejo de sentir-se moderno e atualizado – parece que tudo isso acaba acentuando demasiadamente a vontade de consumir.
As mulheres ainda levam a fama de serem muito consumistas. Ainda há esse estereótipo, mas a verdade é que já está comprovado que ambos os sexos demonstram semelhante atração pelo consumo. As pesquisas mostram que, enquanto as mulheres consomem em maior quantidade, os homens realizam compras com menor frequência, porém, gastando valores superiores aos dispendidos por elas, preferindo itens eletrônicos e aparatos tecnológicos de toda ordem.
A despeito dessas considerações, quero destacar uma nova assertiva sobre as mulheres. É algo relativamente novo, bastante positivo e diz respeito ao poder da mulher em relação à decisão de compra em situações especiamente importantes. São as mulheres que assumem a responsabilidade no momento de comprar a casa para a família. A palavra final, que decide qual casa a família vai comprar, é dela. Ao explorar os benefícios que entende serem fundamentais para ela e sua família, ela analisa detalhadamente um conjunto de elementos. Pensa como mãe, dona de casa, esposa e profissional. Questiona os valores financeiros envolvidos, considera a localização da escola para os filhos, quer saber onde fica o supermercado mais próximo, pesquisa sobre o nível de segurança do bairro e faz uma série de outras perguntas com o objetivo de construir o cenário ideal para sua família.
Além de liderar a decisão de compra da casa, é também a mulher que assume o gerenciamento das reformas, escolhendo os materiais, negociando as condições de pagamento e escolhendo os prestadores de serviços.
A capacidade de percepção global e analítica são determinantes para a qualidade das decisões femininas. O ponto de excelência está na percepção da mulher, que se desenvolve na direção do interesse prático que temos de obter uma vida melhor.
Esse exemplo de atuação resoluta, explorando e definindo onde quer chegar, mostra mudanças claras de atuação da mulher na sociedade moderna. Foi-se o tempo em que a mulher era considerada submissa, passiva, o sexo frágil. Essa ampla forma de participação feminina está contribuindo para criar uma nova força que irá ajudar o mundo a movimentar-se. Em função da constatação da força de sua opinião em diferentes segmentos, muitas empresas estão procurando a linguagem certa para atingir o público feminino, adaptando seu modelo de comunicação e trabalhando para incluir em seus produtos e serviços atributos valorizados por elas.
As mulheres devem aproveitar ao máximo o espaço que já conquistaram e seguir estabelecendo novos objetivos que pretendam transformar em realidade. Está em suas mãos o controle sobre grandes e pequenas coisas. A longo e curto prazo.
Não há interesse algum de colocar a mulher como ser supremo, perfeccionista por natureza. Nada disso. Apenas não podemos ignorar as conquistas ao longo de sua trajetória. Quando a mulher trabalha com mais inteligência, usando o conhecimento acumulado e direcionado para metas claramente definidas, é capaz de surpreender nos resultados que alcança. A mulher não somente deseja obter sua condição de sobrevivência como pretende, acima de tudo, manter o controle de suas vidas. Seu foco está voltado para a superação de obstáculos, o que torna em tese mais fácil o trabalho duro.
Vale a pena comentar sobre o papel da liderança feminina no meio empresarial. Aos poucos vem crescendo o número de mulheres que estão em cargos de chefia. Nestas posições de comando, a mulher participa da construção da estratégia empresarial em direção aos melhores resultados e paralelamente segue coordenando equipes de todo o tamanho.
Uma das principais responsailidades do líder é justamente orientar os membros de sua equipe a tomar as melhores decisões para a empresa e também, em vários casos, para a própria vida. Existe o inesperado, os imprevistos que afetam a vida das pessoas, mas, de maneira geral, investir na capacidade de pensar e planejar pode ajudar qualquer pessoa a chegar onde quer ir, podendo diminuir os riscos e as armadilhas que normalmente estão no caminho.
Há muita coisa acontecendo ao nosso redor. São tempos de mudanças. Começa a se instalar uma nova maneira de interpretar a realidade e a sociedade. O foco imediatista das empresas, com seus objetivos prioritariamente de curto prazo, começa a ser substituido pela visão e os objetivos de longo prazo. O foco apenas nos resultados começa a ceder espaço para a promoção de resultados corporativos aliados ao bem estar da sociedade.
Aprender a declinar do sucesso imediato para obter um resultado melhor no futuro é a primeira regra de ouro para colaborar na construção de boas decisões. Hoje sabemos que é melhor poupar no lugar de gastar, quer estejamos falando de dinheiro ou dos outros recursos que o ambiente nos disponibiliza. A mulher, novamente, sai em vantagem, por ser reconhecida pela preocupação que tem com o futuro dos filhos, colocando-os, inclusive, em primeiro lugar em sua lista de prioridades.
Assim, no ambiente da empresa, a mulher pode exercer sua liderança usando o mesmo modelo que aplica no momento de dar a palavra final em prol de sua família, ou seja, sempre pensando no interersse prático de obter bem estar para a comunidade envolvida.
Marlene Ortega - marlene.ortega@ig.com.br - é pós-graduada em administração pela FGV-EAESP, diretora da Universo Qualidade e Presidente do Business Professional Women de São Paulo.
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