A culinarista Pat Feldman ensina quais os alimentos mais indicados e a quantidade ideal de comida para o lanche diário

Desde que meu blog Crianças na Cozinha  entrou no ar, em janeiro de 2007, os assuntos abordados lá acompanharam o crescimento e cada fase dos meus filhos. Passamos por papinhas, primeiras comidinhas, crises de falta de vontade de comer  e novas receitas.

Até que chegou a hora do pequeno (que hoje já está grandão) ir para a escola. Como mãe zelosa que sou, acompanhada do meu marido, pai também muito zeloso, iniciamos uma busca pela escola que julgamos ser a ideal. Não, a escola ideal não existe. O que existe é a instituição de ensino certa para o seu jeito de ser, o jeito da sua família e do seu filho. Mas não é isso que quero discutir hoje, aqui na coluna.

Sabendo escolher, fruta é o lanche perfeito para seu filho comer na escola
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Sabendo escolher, fruta é o lanche perfeito para seu filho comer na escola


Além dos parâmetros usuais para a escolha de uma escola - ambiente, competência profissional, espaço físico, distância de casa, preço e outros itens que devem ser considerados -, um dos principais fatores que observamos em cada uma das instituições visitadas era como elas lidavam com o que a criança comia e bebia enquanto estava lá. Se as crianças levam lanche de casa ou se a escola o fornece, a qualidade da comida oferecida e/ou enviada pelos outros pais e como a escola encara os diferentes lanches que as crianças possam eventualmente trazer e querer dividir foram fatores levados em consideração na nossa escolha.

Optamos por uma escola onde os alunos levam lancheira. Para o meu estilo de vida e da minha família, foi a melhor opção.

Variedade e quantidade

Quando a hora da escola realmente chegou, eu já estava mais do que informada sobre as diversas exigências para uma lancheira “do bem”. Mas também fiquei um pouco espantada com as exigências e a quantidade dos lanches sugeridos: sanduíches, frutas, queijos, legumes, sucos, etc. E, pelo que entendi das muitas matérias e livros que li a respeito, tudo de uma só vez.

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O lanche escolar ideal para seu filho

É claro que as crianças precisam ter uma alimentação completa e variada, mas ficou parecendo que o lanche escolar  deixou de ser só um lanche e foi promovido a uma refeição completa!

Eu não sei o filho de vocês, mas os meus, se comerem na hora do lanche tudo o que é sugerido, chegam da escola e não jantam nem que eu implore. Comida demais entre as refeições atrapalha as próprias.

Sem contar a dificuldade de ter tanta comida toda hora em casa, todos os dias. E as recomendações do que estraga ou não, azeda ou não, fica ruim, fica bom. É tanto palpite que até desanima. Aí, resolvi simplificar. Ficou tão simples, que até parece difícil!

Minha primeira decisão: uma boa lancheira  tem que ser térmica. Elas são mais caras, mas valem o investimento porque permitem que você mande lanches realmente naturais para seu filho. Comida de verdade, não aquelas coisas empacotadas, cheias de muito sal, muito flavorizante, corante, e outras substâncias que viciam e estragam o paladar das crianças, sem oferecer muito valor nutritivo.

Minha decisão mais importante: o lanche dos meus filhos  seria apenas um lanche, algo que fosse fácil de comer e de transportar na lancheira térmica. E tem coisa mais deliciosa que uma fruta fresca e água, que mesmo que não esteja gelada, é sempre refrescante e bem-vinda?

Melhor opção

Água na lancheira  é de longe a melhor opção de bebida: mata a sede de verdade, não estraga, é barata e muito mais ecológica - você compra uma garrafa bonita e a lava diariamente, completando a cada dia com água filtrada.

As frutas podem não parecer tão simples, mas são, desde que você tenha consciência de que nem todas são fáceis de levar na lancheira. Algumas amassam e, apesar de continuarem boas, já não ficam tão atraentes. Outras, depois de cortadas, oxidam, escurecem e ficam menos saborosas, além de nada atraentes para as crianças. Algumas precisam de garfos, outras podem ser comidas às mordidas ou inteiras.

Meu filho mais velho ama uvas, e são elas que ele leva muitos dias por semana. Eu entendo - e quero que você entenda - que não é na hora do lanche que você precisa se preocupar com a variedade da alimentação. Nessa hora se preocupe com o que é fácil e prático. Deixe a variedade para o dia a dia da casa, com você ao lado estimulando novos sabores e cores na alimentação das crianças. O meu filho mais novo gosta mesmo é de levar mamão para comer na escola. Coloco num pote fechado bem bonito e mando um garfo sem ponta, que não machuca ninguém.

Leia ainda: A alimentação correta das crianças de acordo com a faixa etária

Mesmo a lancheira térmica nesse calorzão do verão brasileiro nem sempre é suficiente. Se você tem um freezer grande em casa, guarde a lancheira no freezer de um dia para outro. Outra opção para colaborar com o frescor no interior da lancheira é mandar a água da garrafinha congelada. Até a hora do lanche, ela ajuda a manter a fruta fresca e já descongelou para o consumo, e provavelmente estará numa temperatura agradavelmente refrescante.

A culinarista Pat Feldman tira dúvidas sobre alimentação infantil
Digulgação
A culinarista Pat Feldman tira dúvidas sobre alimentação infantil

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* Pat Feldman é culinarista e criadora do Projeto Crianças na Cozinha, que traz receitas infantis saudáveis, saborosas e livre de industrializados. É também autora do livro de receitas "A Dor de Cabeça Morre Pela Boca", escrito em parceria com seu marido, o médico Alexandre Feldman. Na coluna “Cozinha com Crianças”, ela fala quinzenalmente sobre gastronomia infantil.

Envie dúvidas e sugestões para criancasnacozinha@gmail.com.

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