Em sua estreia no iG, a culinarista Pat Feldman fala sobre um pesadelo das mães: filho que não come bem. Mas será que ele não come bem ou apenas come pouco? Tem diferença

Parece que a falta de apetite das crianças é o pior pesadelo das mamães de hoje. De sempre, na verdade. Também pudera. Qualquer um sabe que se alimentar bem é a chave para uma boa saúde, uma boa imunidade e um bom desenvolvimento.

Mas será que a quantidade de comida que seu filho ingere a cada refeição é realmente o que mais importa?

Comer bem deve ser um prazer, e obrigar seu filho a comer o que ou quanto ele não quer é o primeiro passo para que ele deteste a hora das refeições
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Comer bem deve ser um prazer, e obrigar seu filho a comer o que ou quanto ele não quer é o primeiro passo para que ele deteste a hora das refeições

Você pode não concordar comigo logo de cara, mas eu afirmo sem sombra de dúvida: quantidade é o que menos importa. E, a partir de hoje e no decorrer dessa coluna, vou falar sobre isso. Vamos debater se seu filho pode realmente se alimentar bem, sem que isso signifique porções enormes, stress, brigas e birras.

Comer bem deve ser um prazer, e obrigar seu filho a comer o que ou quanto ele não quer é o primeiro passo para que ele deteste a hora das refeições. Eu entendo que, às vezes, as crianças nos enlouquecem com suas boquinhas bem fechadas e a tentação de perder a paciência é enorme. Mas conte até 10. Se for preciso, conte até 100. Depois de renovar seu estoque de paciência, procure fazer da refeição um momento de prazer e alegria em família. Fique calmo, arrume uma mesa bonita e convide seu filho a lhe fazer companhia nas refeições.

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Agora que o ambiente agradável já está resolvido, vamos ao que interessa: a comida.

Eu disse no começo do texto e repito aqui: seu filho não precisa comer muito, ele precisa comer BEM. Existem alguns ingredientes que classificaria como fundamentais na nossa alimentação. Sim, na alimentação de adultos e crianças, mas muito especialmente na alimentação dos pequenos. Dentre eles, destaco:

- Caldos caseiros: são normalmente preparados à base de carnes, ossos, legumes, verduras e ervas. Além de muito saborosos, são extremamente saudáveis. Se você trocar a água de cozimento do seu arroz, feijão, ensopados, risotos e sopas pelos caldos caseiros, seus pratos ganharão tanto em sabor quanto em saúde e serão irresistíveis! Os caldos que eu mais faço e uso em casa são o caldo de carne, de galinha caipira e de peixe. Eles devem ficar várias horas no fogo, mas não dão trabalho nenhum. Basta você organizar sua rotina para sempre tê-los aos montes, congelado em pequenas porções, no seu freezer.

- Ovos Caipiras:  na minha opinião está entre os alimentos mais versáteis de uma cozinha, e na opinião das pesquisas de ponta, estão entre os mais completos que a natureza oferece. O ovo caipira é riquíssimo em vários nutrientes importantes para a saúde das crianças. Dá para fazer suflê, omelete, ovos mexidos, ovos cozidos e quiches. Com relação à variedade, tem ovo de galinha, de pata, de codorna e até ovo de perua eu já achei por aí!

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- Iogurte:  não precisa ser em grande quantidade, a criança não precisa nem sentir o gosto se azedo não for de sua preferência, mas procure usar iogurte nos seus preparados. Se seu filho for muito pequeno, acostume-o ao sabor azedo do iogurte, que ele só tem a ganhar com isso! Esse alimento é rico em bactérias do bem, os lactobacilos, que promovem a saúde da flora intestinal e ajudam muitíssimo na imunidade. Se puder fazer uma versão caseira, ótimo. E se conseguir usar leite fresco ou orgânico, melhor ainda! Mas se não for possível, iogurte natural integral do supermercado já faz toda a diferença. E se quiser com sabor, bata frutas frescas. Se quiser adoçado, mel. Mas tente insistir um pouquinho no natural integral. Além do iogurte, existem outros alimentos fermentados, ricos em lactobacilos, sobre o qual falaremos em outra ocasião.

A culinarista Pat Feldman tira dúvidas sobre alimentação infantil
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A culinarista Pat Feldman tira dúvidas sobre alimentação infantil

Nas próximas ocasiões, vamos falar mais sobre alimentação infantil e mostrar que manter uma rotina saudável dentro da cozinha é mais fácil do que se imagina e rende bons frutos no futuro.

* Pat Feldman é culinarista e criadora do Projeto Crianças na Cozinha, que traz receitas infantis saudáveis, saborosas e livre de industrializados. É também autora do livro de receitas "A Dor de Cabeça Morre Pela Boca", escrito em parceria com seu marido, o médico Alexandre Feldman. Na coluna “Cozinha com Crianças”, ela fala quinzenalmente sobre gastronomia infantil.

Envie dúvidas e sugestões para criancasnacozinha@gmail.com.

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