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Christian Ullmann

Sustentável é pensar no futuro

Christian Ullmann é designer de produtos especialista em design para sustentabilidade. Sócio diretor da iT Projetos, tem trabalhos premiados na Itália, Argentina e Brasil

Um dia de encanador

Encarar pequenos consertos em casa pode ser um prazer e um convite à reflexão sobre sustentabilidade

10/05/2011 15:59

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Semana passada minha mulher desmontou o banheiro, literalmente: tirou os misturadores das torneiras, os registros das paredes e o vaso do lugar. Começou com um vazamento aqui, uma gotinha pingando lá, e foi assim que acabou tudo desmontado e identificado com fita crepe para podermos saber depois como montar o quebra-cabeça.

Poder fazer os consertos de casa está virando uma grande ação entre os cidadãos europeus e torço para que essa onda também pegue no Brasil. De minha parte, resolvi começar.

Leia também: Quanto custa reformar o banheiro?

Foto: Getty Images

Fazer os consertos de casa está virando uma grande ação entre os cidadãos europeus e torço para que essa onda também pegue ao Brasil



O primeiro passo foi aprender o nome de todas as partes que precisávamos trocar para poder conversar com os técnicos e os vendedores da loja de materiais de construção. Para tanto, contamos com a ajuda de um técnico enviado por uma das marcas que acreditávamos ter em casa. Acontece que, ao analisarmos melhor, descobrimos que cada peça da estrutura do misturador era de uma marca. Isto é, ele não poderia resolver nosso problema, a não ser que trocássemos tudo, ao custo de R$ 20. O que não achei que fosse o caso.

Na loja de materiais de construção do bairro, onde aprendemos a instalar o vaso sanitário – tarefa que, com os apetrechos indicados pelo vendedor, realizamos em 15 minutos -, entendemos que o que tínhamos de trocar era apenas o que tradicionalmente chamamos de “courinho”. O que seria muito simples: tirar o velho, colocar o novo e montar tudo de volta, por apenas R$ 0,10.

O problema é que, hoje, não se pode comprar separado as peças que compõem o conjunto do misturador. Não importando se apenas uma das partes se desgastou com o tempo.

Curioso é ver que o vendedor de bairro, comprometido com sua clientela, consegue resolver o problema com o mínimo de descartes e por centavos, enquanto as empresas - nacionais e multinacionais -, que desenvolvem programas de sustentabilidade, criam novos produtos “verde” e utilizam tudo isto como marketing, oferecendo serviços e soluções complexas a custos maiores.

Seguramente elas precisam garantir a qualidade técnica e a durabilidade dos equipamentos, porém, se a peça a ser trocada é uma simples borracha por que tenho que pagar pelo conjunto completo? O que faço com as peças trocadas que ainda estão em bom estado?

Seguramente nesta semana daremos um jeito nos registros, ainda mais agora que descobrimos que não se trata de nenhum bicho de sete cabeças. É, sem dúvida, uma grande satisfação poder ver tudo funcionando de novo. Mas fica esse questionamento ao mercado, num momento em que os consumidores estão cada vez mais pensando em consumir menos e gerar menos resíduos.

E mais: Já arejou sua torneira hoje?

 

Sobre o articulista

Christian Ullmann - jbianchi@ig.com - Christian Ullmann é designer de produtos especialista em design para sustentabilidade. Sócio diretor da iT Projetos, tem trabalhos premiados na Itália, Argentina e Brasil

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