Educação e cultura para um Brasil melhor

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Primeira das seis filhas de Silvio Santos, um dos homens mais ricos do País, há 16 anos ela assumiu o teatro Imprensa e a diretoria do centro cultural do grupo e passou a se dedicar a dois temas áridos no Brasil: teatro e educação.

Antes disso, Cintia Abravanel havia se dedicado aos filhos, Ligia, Tiago, e Vivian. Eu era mãe e dona-de-casa. Hoje, busca alternativas de melhoria do ensino brasileiro através das artes. É produtora teatral e estuda artes plásticas na Escola Pan-Americana de Artes.

Mais de 6000 escolas, 410 mil alunos e 45 mil professores participaram de seus projetos. As peças produzidas por ela já foram apresentadas em mais de 20 cidades. Mais de 5000 professores participaram dos cursos de capacitação fornecidos pelo centro cultural. Saiba quem é a mulher, mãe e empreendedora por trás do sobrenome poderoso.

Nada que é bom vem fácil
Isso eu aprendi com uma das pessoas mais importantes da minha vida, que é meu pai. Ele diz que fazer coisa errada é fácil, fazer o certo é muito difícil. Trabalhar com cultura e educação, para crianças, num país como o nosso, é difícil. O teatro infantil é visto como uma arte menor. Essas coisas vão minando você, mas o negócio é não desistir. Se eu olhar para trás, há 16 anos, eu era o quê? Mãe e dona de casa. Hoje eu estou aqui recebendo um prêmio pelo meu trabalho, então é acreditar e ir em frente, crescer com os obstáculos e superá-los. Quanto mais obstáculos, mais força a gente tem para superar.

Árduo mas prazeroso
"Quando você trabalha com cultura, educação, para criança e professor, é muito difícil. A sociedade não olha nem para a educação, muito menos para a cultura e pouco olha para o educador. É um trabalho muito árduo, mas prazeroso. É difícil divulgar esse trabalho porque é usar a arte como um instrumento de transformação. Quando você envolve educação, o trabalho é a longo prazo. Uma criança que saiu da frente da TV ou da rua e despertou para a leitura, eu penso que mudei a vida desse criança para sempre. Cada criança que eu consegui despertar, vai ser um adulto melhor e um pai melhor e ensinar o filho a ser uma pessoa melhor. Assim você quantifica quantas pessoas você conseguiu atingir. É a mesma coisa com o educador. Se você conseguir fazer com que ele retome a paixão por lecionar, quantas pessoas ele não vai transformar?As minhas metas são pequenas, eu quero transformar um de cada vez.

Trabalho X maternidade
Acho que o meu trabalho é um complemento da pessoa que eu sou. Continuo sendo mãe, dona de casa mas agora eu costumo dizer que tenho 150 filhos porque sou responsável pelas pessoas que trabalham comigo. E acho que isso é uma qualidade especial da mulher, de fazer várias coisas ao mesmo tempo. E a gente tem aquele diferencial da sensibilidade, de olhar para o outro de forma diferente. Eu tento enxergar todas as pessoas que trabalham comigo como seres humanos, que tem sua individualidade. Acho que esse meu lado mãe e dona de casa ajudam a gerenciar a empresa.

Ser mãe é ser exemplo
Sou separada há 16 anos, eu criei meus filhos sozinha. O melhor que eu pude dar aos meus filhos foi o exemplo de que tudo se constrói com dedicação e com trabalho. Apesar do sobrenome. Este sobrenome requer uma responsabilidade do que a gente vai herdar. Eu tenho um filho de 20 anos que é ator, a mais velha que é formada em gastronomia, e a mais nova está terminando o colegial. Todos eles sabem a importância de se trabalhar e de ter uma realização profissional. A minha maior função na vida deles é ser exemplo e tentar ajudá-los a descobrir no que eles são bons. São poucas as pessoas que conseguem viver daquilo que gostam e eu tenho a oportunidadde de mostrar isso a eles. O sucesso, o dinheiro, é conseqüência quando se faz as coisas com paixão. Primeiro tem de vir o prazer da realização, depois o sucesso.

Lá vem a filha do patrão
Eu acho que a sociedade ainda é um pouco machista. No meu caso, dentro do grupo Silvio Santos, foi uma conquista de espaço. Não só por ser mulher, mas também porque sou a herdeira e a grande maioria dos diretores eu chamo de tio porque me viram nascer. Mas eu acho que no meu caso existia um preconceito. As pessoas comentavam: Ih, lá vem a filha do patrão, que vem para não fazer nada, ou vem para roubar o meu lugar. É uma questão de conquistar confiança. E mostrar que eu não quero o lugar de ninguém, eu quero o meu lugar na vida. Eu não tenho a preocupação de quem vai ocupar o que. Dentro do grupo Silvio Santos, eu fui conquistando a confiança e aprendendo. A gente tem que ter humildade, porque ninguém nasce sabendo. Eu fico feliz porque acho que conquistei a confiança deles com o meu trabalho.

Pimentinha
Eu sou uma pimenta, não paro um segundo, faço de tudo. Para desacelerar, eu medito e desenho, que é um hobby, mas que logo vai virar uma profissão. Eu curto meus amigos, meus trabalhos. Mas no dia que eu estou muito cansada, eu quero descansar, curtir a lua cheia, o por do sol, andar descalça, essas coisas simples.

Eu sou eu...
Tem que dar tempo para tudo. Eu passei muitos anos sem ter folga e quase enlouqueci. Hoje estou aprendendo a me dar folga, acho que a gente precisa aprender isso. A gente é mulher, filho, profissional. Quando a gente é a gente? É preciso ter esse tempo. Eu estou resgatando um sonho de fazer artes plásticas, então quando eu estou desenhando eu sou eu. Quando estou com os meus filhos, quando estou no teatro, nessas horas, eu sou eu. A gente precisa olhar para dentro e reconhecer que precisa de um tempo para cuidar de si. Eu preciso de um tempo para fazer uma massagem, para ficar comigo mesma. Preciso de um tempo para mim, para cuidar de mim. Porque se a gente não cuidar da gente, ninguém vai cuidar. E eu estando bem eu vou ser uma mãe melhor, uma amiga melhor, uma profissional melhor, e aí eu vou estar inteira comigo.

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