Casar ou juntar?

Vocês dois não conseguem mais se desgrudar, mas casar por enquanto está fora de cogitação. Será que compartilhar o mesmo teto pode ser uma boa ideia?

Glycia Emrich | 06/11/2008 16:21

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Foto: Getty Images

Acordo Ortográfico

Já faz um tempo que vocês estão namorando, mas a distância se torna um empecilho cada vez maior para a relação. Luana morava com a família e Ronaldo, do outro lado da cidade. Casar, por enquanto, não era uma opção. Então eles pensaram a mesma coisa: E se morássemos juntos?.  Foi o que fizeram.

A publicitária Luana Costa, de 29 anos, há oito meses divide a casa com o analista de sistemas Ronaldo Freitas. Ainda inseguros de assumir um casamento, resolveram simplesmente juntar os trapos.  Não queríamos aquele peso do casamento, conta ela. E essa é a tendência revelada pelo Censo 2000 do IBGE: o número de casais que optam por viver juntos sem casar praticamente dobrou em uma década, pulando de 18,5%, em 1991, para 28,6%, em 2000.

Para sempre ou test drive?

O efeito psicológico provocado pelo matrimônio pode assustar muitos casais, de acordo com a psicóloga e psicoterapeuta especializada em terapia familiar e de casal Margarete A. Volpi. A ideia de unidos para sempre na alegria e na tristeza pode trazer um sentimento de prisão e obrigação de manter um relacionamento para vida toda, mesmo que eles não estejam felizes, observa.

Quando optam apenas por dividir o mesmo teto, o casal se sente mais livre para terminar o relacionamento se for o caso. O que realmente pesa é assumir um divórcio, que psicologicamente e socialmente traz a ideia de fracasso para ambos, uma vez que no inconsciente coletivo somente os casais que permanecem juntos são felizes e compartilham de um bom casamento, explica.

Por outro lado, essa mesma liberdade também pode ser motivo de instabilidade. Toda essa ênfase em não ouvir a marcha nupcial pode soar como menor compromisso em relação ao outro. Podem surgir pensamentos do tipo: Ele não me quer? Ela não me acha capaz? Está fazendo apenas um test drive?, explica o psicólogo e psicoterapeuta Carlos Messa.

Prós x Contras

Será que muda mesmo alguma coisa? Tem gente que acha que o papel assinado dentro do armário e a aliança reluzente no dedo mandam embora qualquer resquício de individualidade. Sem isso há mais acordos e negociações, explica a especialista. O chato é quando certos desejos começam a pesar e incomodar a liberdade de cada um. Você quer comprar um apê e, para ele, esse investimento traz junto um vou ter que casar. Nesse grupo teme-se alguma coisa, como o fato de ter filhos. Mas é comum que surjam esses desejos típicos do ser humano, afirma Messa

Foi o que aconteceu com a designer Fernanda Santos, 34 anos, que dividia o teto com o namorado Ricardo, 37. Após quatro anos morando juntos, eles resolveram oficializar a união, há quatro meses. Com a chegada da Martha achamos que já era hora de superar aquela fase de insegurança, diz Fernanda referindo-se à primeira filha. O desejo da construção de um plano de vida em comum pode aumentar a cobrança de casar no papel, aponta Volpi.

Antes de amarrar as escovas de dente e juntar os colchões, é super importante que haja um consenso sobre como será essa nova vida. Se para um morar junto é apenas uma fuga da família, sem assumir um monte de responsabilidades que isso traz, o empreendimento não vai demorar a ser um fiasco. Mas o legal é dividir o mesmo teto enquanto o casal estiver feliz com a convivência em todos os cômodos da casa. É estar quando se deseja estar na relação, comenta a psicóloga.

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