No Brasil, um em cada quatro casamentos acaba em divórcio. Mas sera que esses dados devem ser encarados com preocupação? Especialistas apontam as dificuldades que um casal encontra no dia-a-dia e como resolvê-las. Afinal, ninguem casa para se separar

Segundo a ultima pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatisticas), o numero de divorcios aumentou em 11% de 2006 para 2007 e, se considerarmos desde sua instituic?o, em 1978, o crescimento e superior a 200%. Motivo de preocupac?o? Pode ser. Segundo o psiquiatra Dr. Eduardo Ferreira-Santos, autor dos livros Casamento: Miss?o Quase Impossivel e Ciume: o Medo da Perda (ambos publicados pela Editora Claridade), e cada vez mais raro encontrar casamentos que duram muitos anos. Hoje em dia deposita-se muita expectativa nesta uni?o. Manter uma vida propria sem acreditar que o outro seja a salvac?o e o primeiro grande passo de uma longa estrada, enfatiza.

Dois fatores importantes contribuem (e muito) para que as separac?es judiciais tenham alcancado quase 180 mil, em 2007. A mudanca de comportamento na sociedade brasileira, que passou a aceitar o divorcio com naturalidade, e a desburocratizac?o das separac?es consensuais, em func?o da Lei 11.441/ Janeiro de 2007, que permitiu aos conjuges dissolver o casamento por meio de escritura publica, em qualquer tabelionato do Pais.

Contudo, e impossivel negar a dificuldade que envolve o casamento. Na pratica, relacionamento nem sempre e sinonimo de comportamento amistoso. Implica em varios sentimentos que ocorrem, em maior ou menor grau para cada pessoa, e que muitas vezes n?o s?o agradaveis nem faceis de se lidar. Relacionar-se e, quase sempre, transformar-se. E isso, requer empenho, dedicac?o e vontade, considera o especialista.

Sonho x realidade

Para comecar, coloque um ponto final definitivo nos contos de fada. Em nossa cultura, a ideia do casamento esta t?o ligada a busca de um principe encantado que fica dificil dissociar uma coisa da outra, alerta o Dr. Eduardo. Na fase do enamoramento, as expectativas de nossas fantasias no parceiro se revelam ainda mais intensas. Para o especialista, a paix?o em si e, nitidamente, uma projec?o. Vivencia-la e saborear uma mudanca. Trata-se de uma abertura, um salto que pode ser tanto para o crescimento individual quanto para uma derrocada, comenta. E e ai que mora o perigo.

Quando o casal comeca a dividir o mesmo teto, os problemas fazem parte da rotina e os contratempos se revelam. O segredo esta em como os gerenciamos. E preciso compreender o parceiro como um ser humano que, portanto, tem qualidade e defeitos ? igualzinho a voce! N?o e facil deixar o corac?o sem magoas quando ele n?o atende suas expectativas. Geralmente ficamos frustradas ao perceber que a realidade e diferente do que haviamos imaginado em nossos desejos mais intimos, explica a psicologa e hipnoterapeuta Viviane Scarpelo, especialista em psicoterapia de casal e familia. Apesar de dolorosa, no inicio, esta e uma postura muito madura de encarar o relacionamento. Na hora das diferencas, n?o se permita a entrar na dinamica das acusac?es e dos julgamentos de valor. Eles n?o podem ocupar o lugar da compreens?o mutua e das trocas de amor e respeito, complementa.

Estabeleca limites

Voce ja deve ter escutado a maxima: A partir de hoje, deixo de ser eu para sermos nos. Na teoria e lindo, ate mesmo romantico, mas na pratica essa dedicac?o em tempo integral causa muitos problemas. Segundo a psicologa, e frequente encontrar casais que, inconscientemente, agem de acordo com crencas que apenas dificultam a vida a dois. Se dois corac?es se tornaram um, alguem deixou de existir, ressalta.

Ent?o, ponha o juramento em quest?o e avalie honestamente o que ele ira representar no dia-a-dia. Estabeleca o seu limite de responsabilidade, a sua linha de chegada e de partida. Reflita e seja sincera com seu parceiro. Perceba que colocar as cartas na mesa n?o e primar pelo egoismo. Para Dr. Eduardo, o individualismo tem suas bases no coletivo e na solidariedade. A quest?o aqui e que devemos cuidar para que n?o sejamos arrastados pelo ritmo do outro a ponto de abandonar nossas verdades, nossos valores e nossos projetos. Quando existe um casamento de verdade, se estabelece uma ponte entre individualidade e a comunidade, explica.

Em comum

Certamente, voce divide com ele muitas afinidades. Seja o gosto musical, a culinaria ou ate mesmo os generos de filme. O fato e que, depois do casorio, outros assuntos entrar?o em pauta: ter filhos, comprar a casa propria, mudar de cidade, entre tantos outros. Sugiro sempre um especie de contrato. Um combinado entre ambas as partes para que haja um consenso, decidido pelo casal, sugere Dr. Eduardo. Se estiver em vias de unir as escovas de dentes, seja franca com suas vontades. E o caminho certo para um casamento fincado em bases bem solidas.

Compartilhe sempre as emoc?es que te deixam feliz no dia-a-dia. Faz um bem danado, confidenciarmos o que somos e o que sentimos. Invista em dividir as alegrias, esperancas e ate mesmo a satisfac?o de um trabalho reconhecido, por exemplo. N?o se trata de se calar aos aspectos negativos, mas sim dar vida e significado as quest?es positivas. Segundo Viviane, o que se percebe no consultorio s?o pessoas que falam exaustivamente do que n?o gostam e do que n?o querem para suas vidas, apontando sempre os erros do parceiro. E como se estivessem fazendo propaganda do que n?o querem que aconteca novamente, explica. Vale lembrar que tolerancia e flexibilidade ajudam para valer nesta longa (e dificil) jornada. Afinal, construimos o que somos a cada dia.


Dr. Eduardo Ferreira-Santos - www.ferreira-santos.med.br
Viviane Scarpelo - www.delphospsicologia.com.br

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