Obrigatório a partir de 1 de julho, novo padrão promete mais segurança para as instalações elétricas brasileiras

Exemplode alguns dos padrões de tomada que serão substituídos
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Exemplode alguns dos padrões de tomada que serão substituídos
A partir desta sexta-feira (01/07), o mercado brasileiro passará a comercializar apenas dois modelos de plugues e tomadas: com dois ou três pinos - de 4 mm ou 4,8 mm de diâmetro - dependendo do aparelho.

Até o início de 2010, quando o Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), determinou o início da padronização, a variedade de plugues e tomadas encontrados nas lojas de material de construção do Brasil parecia ser infinito, dada a falta de regras.

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O desenho do novo plug foi baseado em resoluções da International Electrotechnical Commission (IEC), órgão que criou o padrão de plugues a partir de experiências em países nos quais modelos seguros já haviam sido instituídos.

“A norma foi discutida por países de primeiro mundo, como Alemanha, França e Itália”, afirma o superintendente do Comitê Brasileiro de Eletricidade, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), José Sebastião Viel.

Segurança em primeiro plano

À esquerda, novo plugue com três pinos; à direita, o modelo antigo
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À esquerda, novo plugue com três pinos; à direita, o modelo antigo
Com foco na segurança, os novos plugues brasileiros têm o terceiro pino com função de aterramento, isto é levar a descarga elétrica diretamente ao solo. Segundo Viel, desde 1980 a norma de instalações elétricas prevê o aterramento, e, desde 2006, a lei federal n.º 11.337 obriga todas as novas construções a terem o fio terra.

Além do aterramento, as novas tomadas e plugs evitam acidentes mais comuns, como choques. O chefe substituto da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade do Inmetro, Leonardo Rocha, explica que o design proporciona maior segurança ao usuário, graças à concavidade. “O padrão instituído tem formato de poço, que evita o contato com o pino eletrizado.”

Dados recolhidos pelo Inmetro mostram que, na última década, 15 mil mortes foram provocadas por choques elétricos . Por isso a necessidade de um padrão mais seguro era urgente. “As pessoas não conseguiam conectar os aparelhos nas tomadas e a solução encontrada, às vezes, era insegura, como cortar o terceiro pino.”

Além de não tocar nos pinos eletrizados, o consumidor, agora, corre menos risco de superaquecimento da instalação elétrica, o que pode provocar incêndios “Os pinos cilíndricos maciços permitem uma distribuição melhor da corrente e evitam o aquecimento”, explica Rocha.

Mudanças para o consumidor

Para não ter de trocar todas as tomadas é possível recorrer a adaptadores
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Para não ter de trocar todas as tomadas é possível recorrer a adaptadores
Apesar da mudança, o consumidor não terá que trocar todos os espelhos de casa. Segundo Leonardo Rocha, do Inmetro, 80% dos plugues atuais se encaixam no novo padrão nacional. Além disso, o Inmetro certificou dois adaptadores: um que possibilita o encaixe do plugue de aparelhos antigos nas novas tomadas, e outro, que permite a conexão de um eletrodoméstico com o novo plugue às tomadas que não tenham o terceiro pino. No entanto, é importante lembrar que o adaptador não previne o contato das mãos com os pinos.

José Sebastião Viel, explica também que agora estão disponíveis tomadas de amperagens diferentes. “Uma de 20 amperes, que é usada para aparelhos de grande potência, como secador de cabelo e forninho elétrico. Outra de 10 amperes, suficiente para ligar a televisão e o rádio.”

De acordo com o superintendente do Comitê Brasileiro de Eletricidade, com isso, também haverá economia de energia, já que antes a grande maioria das tomadas consumia mais energia do que a instalação elétrica permitia, o que podia causar prejuízos e acidentes.

Substituição gradativa

Apesar de mais seguros e eficientes, troca obrigatória dos novos plugues e tomadas levou mais tempo do que o previsto. “A data foi adiada duas vezes, uma em 2003 e outra em 2005, por causa dos fabricantes e para fazer campanhas de conscientização”, explica o gerente do departamento de tecnologia e política industrial da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Fabian Yaksic. Mesmo assim, ele afirma que a mudança foi bem aceita pelas empresas do setor.

A substituição dos antigos pelos novos plugues nas prateleiras, no início de 2010, foi o primeiro prazo estipulado. A partir desta sexta-feira (01/07), os lojistas que forem flagrados pelos fiscais do Ipem [Instituto de Pesos e Medidas] vendendo produtos com plugues fora do novo padrão poderão ser multados em até R$ 1,5 milhão.

No que diz respeito ao consumidor, Rocha aposta em uma mudança gradativa. “A necessidade de troca vai aparecer aos poucos, conforme os aparelhos forem sendo trocados e os plugues não encaixarem nas tomadas pré-existentes.”

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