De classificados online a depósito familiar, consumidores criam suas alternativas para reaproveitar os móveis

No ano passado a Ikea , maior rede varejista de móveis, decidiu ajudar seus clientes a se desfazerem das peças da marca. A companhia lançou uma plataforma online onde os interessados podem colocar seus móveis de segunda mão para vednder. A princípio, o serviço funciona apenas na Suécia, país de origem da empresa, mas deve ser levado para outros pontos (são 238 lojas em 34 países). A Ikea não cobra nada pelas transações. Mas está ganhando muitos pontos positivos ao vincular sua imagem com a responsabilidade ambiental.

Aqui no Brasil, empresas do mesmo segmento, como Tok & Stok ou Etna, ainda não têm programas para ajudar o consumidor a “reduzir, reutilizar , reciclar”. São os próprios consumidores que têm de criar maneiras de se livrar da mobília. E as iniciativas vão além dos tradicionais “ Família Vende Tudo ” e bazares.

A internet é o palco principal dessas ideias. Criado em 1995 por Craig Newmark, o Craigslist é o maior classificados online do mundo, que divulga de empregos a móveis. Sua edição brasileira já está em São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e Salvador.

Uma versão em menor escala e de iniciativa local é o blog Enjoei , criado pela publicitária Ana Luiza McLaren. No site, com 2.500 acessos diários, vende-se de tudo um pouco, inclusive móveis e objetos decorativos. Tudo é selecionado pela equipe de Ana, postado com imagem e uma legenda bem-humorada. “O projeto não nasceu pensando na preocupação ambiental, mas a gente acha superlegal que as pessoas possam ter acesso a bons produtos usados”, afirma Ana, que pretende abrir a categoria “quero doar”, para clientes que não queiram vender, mas apenas ter acesso às instituições de caridade recomendadas e com amplitude nacional.

A publicitária Ana Paula Pimentel Martins transformou um quarto na casa de sua mãe em guarda-móveis
Amana Salles/ Fotoarena
A publicitária Ana Paula Pimentel Martins transformou um quarto na casa de sua mãe em guarda-móveis

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Há pouco mais de um ano a empresária Débora Knoplich também lançou mão da internet para se livrar de algumas peças. Ela tinha apenas um mês para deixar o apartamento que morava e dar um destino aos móveis. Chegou a contratar profissionais que compram móveis, mas não ficou satisfeita com a avaliação. Resolveu arregaçar as mangas. Fotografou as 15 peças, fez um documento com discrição, peso e medidas e enviou para sua lista de amigos por email.

O resultado foi positivo. Um amigo ficou com uma geladeira, uma tia arrematou o sofá e até um dos avaliadores comprou um item para uso próprio. “Não tive um grande retorno financeiro, mas resolveu meu problema. Eu não tinha tempo hábil para outra solução. Hoje seria até um sucesso maior com a ajuda das redes sociais”, explica.

Guarda-móveis caseiro
No mundo real, o sonho de consumo de muita gente é ter um depósito para guardar as cadeiras , mesas, poltronas que estão aposentadas e, quem sabe, serão usadas novamente na próxima estação. A publicitária Ana Paula Pimentel Martins pode se gabar de ter esse cantinho. Um quarto na casa de sua mãe foi feito de “guarda-móveis” há dez anos. No espaço, organizado com ganchos para pendurar pés da mesa, por exemplo, fica tudo o que elas não querem mais – ao menos por enquanto.

A mãe de Paula, Berenice, é marchand e tem um olho apurado para remanejamento de espaços e reaproveitamento de móveis , qualidade herdada por Paula. “Muitas vezes enjoamos de algo, mas podemos querer mais pra frente. Algo que não combinava há algum tempo pode ficar bom agora”, diz Paula. “Uma mesa com tampo de granito poderia ficar pesada em um ambiente, mas mesclamos com cadeiras transparentes e ficou perfeito”, exemplifica.

A última grande incursão pelo depósito foi quando a publicitária resolveu reformar o sítio da família no interior. Pinta daqui, passa verniz ali e ela tem uma casa nova. “Já pintei mesinha de amarelo, mandei lixar um móvel, passei verniz, coloquei um tecido mais moderno em uma poltrona. Acho importante conseguir promover esse reaproveitamento . E quando pensamos em nos desfazer de algo, vem a frase ‘vamos guardar mais um pouco, quem sabe ainda utilizamos’.” Apenas uma vez, por insistência de uma amiga, ela vendeu uma mesa que estava emprestada. “Mas esse não é nosso objetivo.”

De segunda mão
A comercialização de móveis de segunda mão transformou-se em negócio para Dimas Claudemir quando ele precisou fazer uma mudança de escritório. “Comecei a procurar na internet porque não queria me desfazer de tudo e consegui algumas trocas.” A experiência deu a ele uma ideia: abrir uma loja que vendesse móveis de segunda mão, de saldo e de mostruário de marcas conhecidas como Tok & Stok e Etna.

Há cinco anos localizada na Augusta, em São Paulo, a Bangalô Móveis acaba de mudar para um endereço maior na mesma rua. “Meu público é variado, mas atraio mais jovens, que estão fazendo a primeira casa. É uma questão de consciência ecológica, mas também de orçamento.”

Serviço:

Enjoei

Bangalô Móveis
Rua Augusta, 2028 - São Paulo (SP)

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