Manter um telhado verde ou um sistema de compostagem doméstico exige mais tempo e disposição do que se imagina

 Morar em uma casa sustentável pode ser o ideal de muita gente. Mas, na prática, conviver com produtos e soluções ecológicas exige disciplina, planejamento, além de alguma paciência. Foi empolgado com a ideia de não agredir o meio ambiente que o arquiteto Danilo Corbas decidiu construir uma casa repleta de soluções sustentáveis, na Granja Viana, em Cotia (SP).

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Em um terreno de 860 m², Corbas instalou quatro contêineres marítimos de 2,90 metros de altura e distribuiu quartos, salas, cozinha, escritório, três banheiros, área de serviço, garagem coberta e varandas. Para aproveitar a água da chuva, investiu em um sistema de captação que direciona a reserva para a irrigação do jardim, a limpeza externa e a lavagem do carro.

Os cuidados extras exigidos pela casa sustentável, entretanto, começaram pela manutenção do telhado verde . Apesar de garantir bom isolamento acústico e térmico, o recurso feito com grama exige limpeza e poda mensal. “O telhado é ‘vivo’ e precisa de manutenção. Às vezes aparecem ervas daninhas que se não forem retiradas a tempo podem destruir o sistema”, afirma.

Chuva de granizo pode danificar sistema de aquecimento instalado no telhado
Divulgação
Chuva de granizo pode danificar sistema de aquecimento instalado no telhado
Na casa contêiner , a água é aquecida com energia solar captada por tubos de vidro. E, apesar de não exigir manutenção diária, o problema surge na primeira chuva de granizo forte o suficiente para quebrar os tubos. Além disso, as telhas térmicas na cor branca – que diminuem a insolação nos contêineres – precisam ser lavadas a cada dois anos para tirar a sujeira. O que pressupõe gasto extra de água e um contrassenso à proposta inicial.

Assim como o arquiteto, Sizuo Matsuoka, engenheiro agrônomo, também buscou soluções ecológicas para sua casa. Instalou um painel de aquecimento com seis placas solares - que não exigem reparos diários – e um sistema de coleta de água de chuva . O empecilho surgiu na hora de planejar a rede de captação. “Como minha residência é térrea, não havia altura suficiente para fazer o armazenamento. A solução foi adaptar a coleta, cavar um buraco e colocar o tanque”, afirma. “Gastei mais do que previa porque tive de comprar um equipamento para bombear a água e agora ele exige manutenção periódica”, diz.

Mas nem todas as histórias são frustradas. Os recursos sustentáveis escolhidos pelo comerciante Eduardo Troeira, por exemplo, não exigem tanto cuidado no dia a dia. Pensando em diminuir o impacto que os entulhos da obra causariam na natureza, ele recorreu ao aço na construção da estrutura de sua casa. “Quando precisar demolir, não terei tanto resíduo e o material poderá ser facilmente reciclado”, afirma. E não parou por aí. Entre suas opções ecológicas, recorreu a telhas recicladas feitas com tubo de pasta de dente. “Elas são muito resistentes e práticas. Nunca tive qualquer problema no telhado”, diz.

Mais dificil do que parece

Animada com a possibilidade de reciclar seu lixo orgânico e ainda conseguir adubo para as plantas, Mirna Zambrana comprou há dois anos um minhocário. Algum tempo depois, a arquiteta e colunista do iG descobriu que a tarefa seria mais trabalhosa do que havia imaginado. Para alimentar as minhocas era necessário colocar resíduos picados e folhas de papel ou de árvore no aparelho. O problema havia começado.

Mesmo com plantas em casa, Mirna não tinha folhas suficientes. Por isso, teve de ir às ruas recolher o material. A manutenção do sistema acabou exigindo muito tempo e disposição. “Ter de picar as cascas e outros alimentos exigiu trabalho e virou uma escravidão. Já comia pensando no que teria de cortar”, afirma. “Além disso, por não ficar muito em casa não tinha tanto lixo disponível”, diz. Hoje, mais preparada, a arquiteta pica os alimentos com antecedência e faz um estoque para manter o sistema de compostagem funcionando.

Mesmo a separação do lixo reciclável pode representar trabalho extra no dia a dia e exige disposição para continuar. “Quando decidi separar os materiais recicláveis não havia coleta que passasse pela minha rua e o lixo acaba se misturando”, afirma Alzira Cobello, que manteve a prática por mais um tempo apenas para “ficar com a consciência limpa”. Hoje uma comunidade de catadores já passa pela região. Além disso, é preciso lembrar de sempre lavar bem as embalagens para não juntar bichos ou dar cheiro desagradável em casa no período de acumulação. 

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