Os cuidados na hora de escolher as plantas e montar seu próprio jardim

Já diziam os antigos que ter uma planta é o primeiro passo para um dia vir a ter um animal de estimação e um filho. E, a depender dos paisagistas, o ditado é mais do que verdadeiro. “Elas precisam de cuidados constantes”, diz Maricy Pissinatti. “É preciso ter disciplina”, completa Rodrigo Oliveira.

Antes de escolher as espécies de plantas, 
avalie o espaço e a quantidade de luz aonde 
elas irão ficar
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Antes de escolher as espécies de plantas, avalie o espaço e a quantidade de luz aonde elas irão ficar
Boa quantidade de luz natural, água quase que diariamente e fertilizantes a cada dois meses são algumas das obrigações que farão parte do dia-a-dia de quem decide ter seu próprio jardim.

De acordo com a arquiteta e paisagista Adriana Victorelli, da NeoArq, o primeiro passo a se observar é a quantidade de luz em cada canto da casa. A partir dessa informação já é possível selecionar as plantas mais adequadas para os diferentes cômodos.

“Em locais com menos luminosidade, dê preferência a folhagens como lírios, raphis, árvores da felicidade, espadas e lanças de São Jorge, que gostam mais de sombra e podem ser usadas em ambientes internos”, diz Adriana. Deixe as flores para espaços com maior luminosidade.

Planeje-se

Levando a luminosidade e a ventilação em conta, avalie antes o espaço que será destinado para a planta crescer. “Veja se o local do plantio é de sombra ou sol e se há espaço para a raiz se desenvolver”, diz Oliveira.

O tamanho a ser alcançado pelas plantas deve ser determinado pelo espaço que ela ocupará na casa. O paisagista lembra que, dependendo da espécie, e de como elas serão conduzidas, é possível controlar o tamanho da planta com o sistema de poda.

Arbustos (50 cm ou mais) podem ser comprados já com um porte médio, assim como as árvores que medem mais de 1,5 m quando adultas. Mudas maiores podem ser plantadas diretamente no jardim para responder rapidamente.

Fique de olho

Na hora da compra, prefira plantas vindas de fornecedores idôneos. “Eles oferecem garantia do estado das plantas”, afirma Oliveira. Segundo Maricy, as mudas devem estar viçosas e com as folhas vivas.

Se houver brotos ou, no caso de mudas com a raiz embalada com estopa, verifique se eles estão firmes. “Se o torrão estiver mole, não compre, pois é sinal de que a muda não está enraizada.”

Fique atento também a bichos, pragas e doenças. Eles são visíveis, basta ser um bom observador.

Cuidado com o transplante

Em casa, coloque a muda em um vaso ou direto na terra, levando em conta o tipo de planta. As espécies menores podem ser manuseadas facilmente, pois dificilmente quebram ou murcham durante o transplante, já aquelas da família das alpinias, helicônias e bananeiras não apresentam caule lignificado – ou seja, rico em lignina, substância que garante a dureza dos tecidos – por isso são mais frágeis e murcham facilmente.

“Para o plantio e poda, as ferramentas básicas são tesoura, pá, garfo, além de terra adubada, vasos com dreno (furo), um regador e luvas”, diz Adriana. Vitaminas, como o NPK 10-10-10 para manutenção e NPK 4-14-8 para ser misturada ao bulbo no plantio, também são aconselháveis.

No dia-a-dia

No início, molhe as plantas, de modo que a terra fique úmida - não encharcada -, exceto cactos e suculentas, cujas raízes, talo e folhas são rígidos, como a babosa. “Uma planta recém-comprada e plantada ainda não está enraizada no novo local, por isso precisa de um pouco mais de água do que o normal”, diz Oliveira.

Se pulgões e cochonilhas aparecerem recorra a remédios apropriados para o uso doméstico, à venda em supermercados e lojas de jardinagem.

Consultoria:
Maricy Pissinatti
NeoArq
Rodrigo Oliveira

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