Bonitas e fáceis de cultivar, as plantas medicinais cumprem dupla função

Chás e banhos com a erva certa pode aliviar de enxaquecas à má digestão
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Chás e banhos com a erva certa pode aliviar de enxaquecas à má digestão
Nada pode ser mais prazeroso do que preparar um alimento ou uma infusão com plantas colhidas na hora. Principalmente, se elas são capazes de melhorar nossa saúde e humor.

Para unir o útil ao agradável, o ideal é cultivar plantas que curam e que também podem ser bonitas de se ver. O farmacêutico Daniel Weisz, especializado em fitoterapia, homeopatia e florais de Bach, fala com entusiasmo de várias espécies que unem essas duas virtudes.

“A cavalinha, por exemplo, dá belos vasos e tem incontáveis usos medicinais. A babosa é outra planta poderosa, fácil de brotar e que exibe uma linda coroa em meio ao gramado ou em recipientes de médio ou grande porte.

O importante é escolher as espécies de maior abrangência curativa e observar os cuidados certos para que elas se mantenham fortes e viçosas”, explica Weiz.

Mas lembre-se que o consumo exagerado de chás, infusões, temperos ou alimentos de qualquer espécie pode levar à intoxicação. Chás, por exemplo, não devem ultrapassar quatro xícaras ao dia. É essencial, por isso, consultar um médico ou fitoterapeuta para ministrar as doses corretas de cada planta.

Onde plantar

Plantas precisam de espaço para se desenvolver e atingem sua plenitude quando cultivadas “in natura”, espalhando-se pelo solo. Mas nem sempre podemos contar com um jardim ou quintal de bom tamanho.

Assim, vasos, floreiras estruturais, jardineiras avulsas ou mesmo áreas comuns de condomínios podem ser soluções bastante viáveis. Plantas grandes como boldo africano, guaco (trepadeira), espinheira santa (árvore), insulina vegetal (trepadeira), sabugueiro (árvore), boldo indígena ou popularmente estomalina (árvore) são obrigatoriamente cultivadas em jardins.

Já hortelã, camomila, melissa, erva cidreira e erva doce podem ser cultivadas em vasos, principalmente a cavalinha, que é bastante invasora (e, por isso, ideal ser contida em vaso)

“Seja qual for o espaço, o melhor lugar é sempre aquele em que incidir maior luminosidade”, diz Silvia Jeha Bueno de Azevedo, do viveiro orgânico Sabor de Fazenda.

Nutricionista e herborista, ela ensina que ervas, temperos e plantas curativas precisam de pelo menos quatro horas de sol por dia. De preferência, sem o filtro dos vidros das janelas, condição que propicia o ataque de pragas e outras doenças.

Lugares arejados e com áreas de sombra para remanejar os vasos na hora de pico da radiação solar também são indicados.

Esteja atento ao assédio dos animais domésticos, que podem atacar as plantas por pura diversão ou para fazer suas necessidades biológicas.

Cultivo adequado

Daniel Weisz recomenda que não se exagere na rega. “É importante conhecer as especificidades de cada espécie, a fim de providenciar o cuidado adequado. Nada de terra seca como areia, ou encharcada como barro. O ideal é sentir o solo úmido e fresco ao toque”.

Quanto à poda, Silvia Jeha orienta que, de forma geral, as espécies mais lenhosas – aquelas com tronco ou caule mais duros –, devem ter as extremidades cortadas de fora para dentro, sempre com uma pequena tesoura.

Já para as espécies de caule mais mole, a recomendação é que sejam cortadas o mais próximo possível do solo para que brotem novamente. As folhas devem ser cortadas, e nunca arrancadas, regra que vale tanto para espécies rijas quanto flexíveis.

Na hora de nutrir as plantas, nada de agrotóxico. O melhor é optar por adubos orgânicos como humus de minhoca, compostos em geral, torta de nim, bocashi e farinha de osso, essa com o inconveniente do forte odor.

Se for complementar com sobras domésticas, dê ênfase às cascas - de ovo, banana, laranja e legumes em geral - e sementes de diversas plantas, sempre ricas em sais minerais.

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