Cuidados nos primeiros dias garantem vida longa às plantas do jardim

Mudas frágeis podem se tornar árvores de grande porte se alguns cuidados e orientações forem seguidos na hora de plantar. Escolher a muda e o torrão certos, por exemplo, pode ser a chave para o sucesso.

Ao comprar a muda, é necessário observar o aspecto das folhas e a qualidade do torrão
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Ao comprar a muda, é necessário observar o aspecto das folhas e a qualidade do torrão
Segundo a engenheira agrônoma do Ibrap (Instituto Brasileiro de Paisagismo), Aline Fini, o primeiro ponto a ser observado na hora da compra da muda são as folhas, que devem estar saudáveis, sem manchas, pragas ou doenças. “Outro fator importante é a qualidade do torrão, que deve estar íntegro”, diz a engenheira.

Além de observar o torrão, é preciso conferir o estado das raízes. “Elas não devem estar enoveladas, ou seja, emaranhadas como em um novelo de lã”, alerta Vanderlei Rodinsky, do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O especialista também lembra que a embalagem que reveste a muda deve estar em bom estado, indicando que a planta não sofreu choques ou agressões.

Ainda na hora de escolher a muda, é importante ficar atento ao tamanho e idade da planta. “Quando a muda sai do viveiro ainda muito novinha, sem ter atingido seu tamanho ideal para plantio, ela pode não resistir”, explica o professor de jardinagem do SENAC-RJ, Cláudio Teixeira. De acordo com ele, espécies arbóreas, por exemplo, são plantadas com, em média, 1,80 m, mas o tamanho ideal varia de acordo com a espécie.

Atenção às medidas

Eleita uma muda saudável é hora de prestar atenção aos detalhes do plantio. Buscar um local em que a iluminação seja adequada ao tipo de espécie é apenas um dos cuidados nessa etapa.

O professor Cláudio Teixeira recomenda uma rápida pesquisa sobre o tamanho adulto da espécie em questão. “O mínimo de espaço que deve ser dado entre uma muda e outra na hora do plantio é o tamanho da copa da espécie”, indica o professor. “Isso evita que uma planta interfira no crescimento da outra”, completa. Dependendo da espécie, esse espaço poderá ser de apenas 20 cm - no caso de plantas rasteiras – chegando a metros de distância, quando se pensa em árvores de grande porte.

Outro dado importante a ser levado em consideração é a distância entre a planta e construções. Para evitar danos futuros às edificações é aconselhável que as mudas sejam plantadas com, no mínimo, 5 metros de distância de muros, casas e prédios.

Cuidados na hora do plantio

Após definir o local ideal para a mudinha, é necessário retirar o torrão da embalagem que a reveste para dar início ao plantio. Ao abrir a cova, ou seja, o buraco que irá receber a muda, observe o tamanho ideal para acomodá-la. “O tamanho da cova deve ser definido em função do tamanho do torrão. Deve haver uma folga de 5 cm entre o torrão e a terra lateral, e pelo menos uns 10 cm de profundidade além do tamanho do torrão”, ensina Cláudio Teixeira.

É nesse espaço de 10 cm que o adubo, orgânico ou industrial deve ser colocado. Porém, ele não deve entrar em contato direto com a raiz da planta, pois pode queimá-la. Para evitar isso, o professor de jardinagem ensina um truque: ao retirar a terra para abrir a cova, separe a metade de cima da terra. Coloque o adubo no fundo do buraco, seguido por uma camada dessa primeira metade de terra e, depois, coloque o torrão, de forma que ele fique nivelado com o solo.

“A terra de cima é melhor, pois é ela que recebe todo o material orgânico, além do ar entrar com mais facilidade”, explica Teixeira. Além disso, Aline Fini, do Ibrap, lembra que a rega logo após o plantio é imprescindível.

Garantindo a saúde da muda

O ideal é irrigar a muda todos os dias, por duas a três semanas
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O ideal é irrigar a muda todos os dias, por duas a três semanas
Com o plantio adequado, as chances da muda sobreviver são grandes, mas não eliminam os cuidados posteriores. A rega diária, por exemplo, é fundamental para a adaptação da planta. “É necessário irrigar todos os dias, por duas a três semanas, dependendo da espécie e das condições ambientais. Outro cuidado é monitorar o possível ataque por pragas e formigas”, recomenda Aline Fini.

Uma dica importante para evitar quebras e machucados no caule da planta é a implantação de um tutor, ou seja, uma vara de bambu ou madeira que deve ser fincada ao lado da planta e amarrada à muda. Ele dará sustentação e não deixará a muda se partir, no caso de uma ventania, por exemplo. Na hora de amarrar a planta ao tutor com um barbante ou fita, cuidado para não apertar demais o caule: não se esqueça que o crescimento do vegetal ocorre também na largura.

Logo nos primeiros dias de transição, a planta pode dar alguns sinais de que está sentindo a mudança para o solo. Folhas amareladas ou mesmo a queda de algumas delas é comum nessa fase. “É um sistema de defesa”, explica o professor Cláudio Teixeira. “Ela perde essas folhas para diminuir seu gasto de energia com a transpiração, pois ela ainda não está absorvendo todos os nutrientes e água necessários”, diz. Por isso, Teixeira recomenda que, ao ver que uma folha está murcha e prestes a cair, auxilie a planta, retirando essa folha, para poupar energia, além de garantir a adubação periódica.

Caso a muda tenha sido plantada em um vaso, Vanderlei Rodinsky, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, indica a troca de vaso a cada dois anos, sempre para um maior. “Mas, vai chegar a hora em que essa planta deverá ir para um local definitivo ou ela vai morrer”, alerta Rodinsky.

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