Muito usadas nos anos 70, as samambaias voltam à cena em novos projetos

Por muito tempo as samambaias reinaram absolutas no paisagismo de casas e apartamentos. Mas, aos poucos, foram caindo no esquecimento. “Como a moda das roupas e da arquitetura, as plantas também têm um ciclo”, afirma o paisagista Rodrigo Oliveira.

Na década de 70, as samambaias de metro eram quase uma unanimidade em questão de paisagismo. “Naquela época eram poucas variedades de plantas disponíveis e a samambaia reinava, porque cresce rápido e é fácil de cuidar”, completa Oliveira.

Mas, com o uso massivo, a planta acabou ganhando uma fama nada favorável. “Seu uso está muito associado à casa da avó ou da mãe, e isso traz um pouco de preconceito, pelo uso popular”, afirma o paisagista Marcos Spinola, do escritório Marcelo Bellotto. De acordo com ele, outra espécie que perdeu um pouco de seu prestígio pelo mesmo motivo é a espada de São Jorge, muito relacionada a simpatias.

Uso repaginado

Exatamente como acontece na moda, uma onda de “revival” está dando novo destaque à samambaia. Seja pelo apelo vintage ou ecológico, as samambaias voltam a decorar não apenas casas, mas até mesmo restaurantes, na forma de quadro vivo.

“Quando um paisagista começa a usar uma planta que estava meio no esquecimento, os outros voltam a observar com outros olhos”, diz Spinola. Foi desta forma que ele tirou a samambaia do alto da parede para colocá-la em vasos. O resultado, além de visualmente interessante, aponta para o uso ecológico da planta ao descartar a necessidade do xaxim.

Os quadros vivos também são uma maneira diferente de fazer uso da espécie conhecida como renda francesa (asplênio). A paisagista Gigi Botelho conta que, apesar de só ter se popularizado recentemente, o quadro vivo já é uma solução antiga. “Patrick Blanc [botânico e paisagista francês] usava isso há 20 anos, porque na França os apartamentos são pequenos e o jardim vertical é super útil para nesse caso.”

Por se adaptar bem em lugares altos e ter galhos longos e flexíveis, as samambaias são uma ótima opção na composição de jardins verticais. “Ela cabe muito bem porque é uma espécie que, no seu estado natural, cresce em rochas e bifurcações de árvores, ou seja, sua característica de suporte é mais vertical do que horizontal”, explica Marcos Spinola.

Cuidados essenciais

Apesar da mais popular ser a samambaia de metro, o gênero conta com quase 10 mil espécies diferentes, todas com hábitos semelhantes. Entre as mais utilizadas, atualmente, estão a renda portuguesa, a paulistinha, a avenca, o asplênio, a angiopteris e a cyathea.

“Todas são super rústicas e gostam mais da meia sombra. Caso contrário, amarelam”, diz Spínola. O paisagista Rodrigo Oliveira também lembra que, por se tratar de plantas suspensas, as samambaias não gostam de substratos encharcados.

Ele também lembra que, apesar ser uma espécie mais singela, a samambaia também necessita de adubação. “O que é ornamental na samambaia não é a flor, mas a folha, que gosta de nitrogênio. Então, recomendo sempre usar um adubo nitrogenado.”

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