Diferente do que se imagina, cuidar da espécie requer dedicação e atenção extremas

A beleza das orquídeas exerce um encanto quase místico entre os aficionados por jardinagem. O cantor pernambucano Lenine confessou certa vez, em uma entrevista, ser “orquidoido”, de tão apaixonado pela flor. Tamanha adoração o fez cultivar mais de 600 espécies brasileiras e batizar um CD com o nome “Labiata”, em referência à espécie cattleya labiata (de flores grandes, perfumadas e coloridas).

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Veja abaixo uma seleção de orquídeas de tirar o fôlego:

As orquídeas se diferenciam das demais plantas por apresentarem elevada resistência e variedade de cores e formas. Entretanto, o cultivo demanda atenção e dedicação extrema dos orquidófilos. Um pequeno detalhe pode colocar em risco a saúde da planta. Daí o perfil daqueles que levam o cultivo da planta a sério ser muito parecido: sempre com algum tempo livre extra no dia a dia.

Conversamos com pessoas que já perderam a conta dos exemplares que possui no jardim para contar um pouco de suas histórias junto à espécie. Confira:

Denitiro Watanabe, 75, aposentado

Denitiro Watanabe cultiva mais de 900 orquídeas
Arquivo pessoal
Denitiro Watanabe cultiva mais de 900 orquídeas

A aposentadoria do físico Watanabe foi o ponto de partida para a montagem de uma coleção que, hoje, alcança mais de 900 orquídeas. A paixão pela flor, no entanto, começou há muito tempo. Seu primeiro contato com a planta foi aos 15 anos, quando ganhou uma muda do pai. “Ele queria me parabenizar por ter concluído o ginásio e me presenteou com a cymbidium”, lembra. A vontade de cultivar se manteve viva em sua mente e, logo que conseguiu mais tempo, deu início à plantação. Seu xodó é a cattleya walkeriana – espécie com pétalas de formato arredondado e perfume semelhante ao da canela. “Ela é conhecida como feiticeira, tendo origem no cerrado brasileiro. É a orquídea mais rara que tenho”, diz. “Adoro descobrir espécies nativas. Já subi até em árvores para conseguir mudas novas.”

Maria do Rosário de Almeida, 56, presidente da OrquidaRio

Maria do Rosário não hesitou em largar as algas marinhas para cuidar das orquídeas
Acervo pessoal
Maria do Rosário não hesitou em largar as algas marinhas para cuidar das orquídeas

A botânica Maria do Rosário sempre esteve envolvida com a natureza , mas não diretamente com orquídeas. Pesquisava sobre algas marinhas quando decidiu mudar-se para Petrópolis, no Rio de Janeiro, e ajudar o pai a manter o orquidário da família. “Senti amor à primeira vista logo que vi a beleza daquelas flores. Estudei muito sobre as espécies brasileiras e me apaixonei”, afirma. Os anos passaram e a orquidófila acabou fechando a parte comercial do orquidário, com o objetivo de manter a coleção. Hoje, o local tem mais de 100 espécies, sendo as típicas da Mata Atlântica – cattleya intermedia e oncidium – as preferidas de Rosário. “Além disso, gosto de colecionar miniorquídeas e variedades de grande porte cheias de perfume como a walkeriana”, afirma.

Tanabe Tsutomu, 50, aposentado

A espécie de orquídea Stanhopea tigrina é uma das prediletas de Tanabe Tsutomu
Divulgação
A espécie de orquídea Stanhopea tigrina é uma das prediletas de Tanabe Tsutomu

O fascínio de Tsutomu por orquídeas começou aos 16 anos. O pai colecionava a flor e o mantinha por perto durante o plantio. “Nosso vizinho também era orquidófilo e pedíamos com frequência a ajuda dele sobre questões de cultivo. Meu pai não compreendia muito português e era eu quem mediava a conversa. A amizade fez com que ele desse até mesmo algumas espécies para a nossa coleção”, afirma. A entrada de Tsutomu para a aeronáutica, no entanto, o impediu de aumentar a dedicação à jardinagem. O sonho ganhou continuidade apenas na chegada da aposentadoria. Hoje, o terreno localizado na cidade de Guaratinguetá fica cada dia mais cheio. “Tenho mais de quatro mil orquídeas e minha esposa me ajuda a cuidar. Gosto de todas as espécies, porém, tenho mais carinho pelas walkerianas e stanhopea tigrinas”, diz.


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