Um dos principais nomes do design de mobiliário brasileiro, Sérgio Rodrigues revela que a brasilidade está no DNA de sua obra

Representante da mais célebre geração de designers brasileiros, aos 83 anos, Sérgio Rodrigues continua a todo vapor. Tanto que, a partir de amanhã, apresenta na Caixa Cultural do Rio de Janeiro algumas de suas últimas criações bem ao lado das peças que lhe tornaram conhecido e respeitado mundialmente, como a premiada poltrona Mole.



A exposição “Sérgio Rodrigues – Um Designer dos Trópicos” terá curadoria de Marta Micheli e da filha de Sérgio, Verônica Rodrigues - arquiteta e designer de interiores -, e exibirá cerca de 70 obras criadas pelo mestre desde 1954.

Inspirada, a dupla resolveu montar uma “apresentação diferente de tudo que já foi feito”. Os móveis estarão expostos em meio a desenhos guardados desde a juventude do artista. “Tem de tudo: caricaturas, animais brasileiros, caravelas, Copacabana... É uma interpretação de minha filha sobre minhas influências na hora de criar”, diz Rodrigues.

Feliz com a homenagem, Sergio Rodrigues falou com a equipe do iG Casa:

iG: Quando o senhor descobriu o dom para o desenho?
Sérgio Rodrigues:
Sempre desenhei, desde garotinho. Meu pai era ilustrador e acabei me direcionando para esse lado também.

iG: Quais as suas principais influências?
Rodrigues:
Na realidade, eu “vivo” o Brasil. Luto pela brasilidade do móvel feito aqui. Não tenho muitas influências externas. Não sigo estilos, modas nem tendências. Sou cliente de mim mesmo. Eu faço. Se a pessoa gostar, ótimo. Se ela não gostar, digo “o azar é seu”. Não ligo para a opinião dos outros.

“Passamos a olhar mais para dentro e, de uns tempos para cá, o Brasil passou a ser copiado”

iG: O que mudou no design brasileiro desde o início de sua carreira, período conhecido como a época de ouro do móvel?
Rodrigues:
O que mudou é que passamos a olhar mais para dentro. E já existem muitos móveis semelhantes aos nossos lá fora. Em vez de o Brasil continuar copiando, como fez a vida inteira, ele passou a ser copiado de uns tempos pra cá.

iG: Que designers brasileiros mais lhe agradam hoje em dia?
Rodrigues:
Não sou crítico de arte. Tem muita coisa que eu admiro, mas não quer dizer que é o correto. Gosto bastante dos Irmãos Campana, que são muito criativos. Tem também a Claudia Moreira Salles, o Fernando Mendes, o Carlos Motta... Enfim, acho que temos uns 20 designers de alto nível no Brasil, mas tem também uma garotada que está lutando para chegar lá.

iG: O senhor trabalha principalmente com madeira e couro...
Rodrigues:
Eu trabalhava com jacarandá, que considero a rainha das madeiras. Gosto da dureza, da cor, dos veios... É muito bonita, mas acabou. Só por isso não trabalho mais com ela. Está sendo replantada, mas custa a nascer. Hoje eu uso outras, como a liptus, que é uma variação do eucalipto, e a imbuia.

iG: A poltrona Mole é sua obra mais famosa. Como foi o processo de criação dessa peça?
Rodrigues
: Eu não fiz para ganhar prêmio nem nada. Fiz porque buscava alguma coisa que me agradasse e que tivesse a ver com a cultura brasileira. Imagine um índio brincando com vários tacapes, como esses garotos de sinais de trânsito. Aí, de repente, caem quatro deles no chão e o índio coloca uma rede em cima deles. Pronto! Você já vê a peça.

iG: O senhor imaginou essa cena antes ou depois de criar a poltrona?
Rodrigues:
Não pensei nisso antes, não. Mas você sabe como é... Essas coisas todas já estão no computador da nossa cabeça.








Serviço:
“Sérgio Rodrigues – Um Designer dos Trópicos”
Local: Caixa Cultural Rio de Janeiro – Galeria 3
Avenida Almirante Barroso, 25, Centro – Rio de Janeiro (RJ)
Tel: (21) 2544-4080
Data: de 10 de agosto a 19 de setembro
Visitação: de terça a sábado, das 10h às 22h; domingo, das 10h às 21h
Entrada gratuita

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