Frequentadores assíduos da principal semana de design do mundo dão dicas para aproveitar o melhor do evento

Vista geral do pavilhão de exposições de Rho-Pero
Divulgação/Alessandro Russotti
Vista geral do pavilhão de exposições de Rho-Pero
O Brasil é hoje o terceiro país que mais envia profissionais para o Salão Internacional do Móvel, em Milão. Só no último ano, 5 mil arquitetos, designers, fabricantes de móveis e lojistas nacionais se uniram a outros 300 mil visitantes de mais de 150 países para conferir de perto as novidades de grandes marcas como Edra, Moroso, Kartell e Vitra.

“Nessa época, Milão se torna uma extensão de São Paulo”, afirma Carla Ribeiro, da Micasa. “Todo mundo vai pra lá”, completa. “É como a semana de moda em Paris”, compara o designer Christian Ullmann, que vai ao salão desde1995.

Para não se perder nesse mar de gente e novidades, que terá sua 49ª edição entre os dias 14 e 19 de abril, é preciso ter fôlego e foco para não perder as principais atrações. O ponto nevrálgico da semana é, sem dúvida, os 22 pavilhões de mais de 200 mil m² do complexo de exposições de Rho-Pero, distrito próximo a Milão.

É lá que se concentram as principais marcas internacionais e onde se encontram os designers mais promissores, convidados pela organização a participar do Salão Satélite. Entre eles, alguns brasileiros, como Pedro Franco, da A Lot Of.

“É tudo tão grande que é impossível de visitar em apenas um dia. Precisa reservar pelo menos dois ou três, e mesmo assim priorizar os pavilhões que tenham mais a ver com os seus interesses”, afirma Ullmann, que pela segunda vez servirá de guia a um grupo de 15 brasileiros estreantes em Milão.

Veteranos no assunto – eles vão no salão desde 1986 -, Helio e Sandra Bork, donos da loja Montenapoleone, indicam focar a visita nos pavilhões 5, 7, 10 e 12, onde costumam ficar as marcas mais representativas. “Os estandes da Kartell, da Flexform, da Giovannetti, da Armani e da Missoni Casa são imperdíveis”, afirma a designer de interiores Patrícia Covolo.

Carla ainda acrescenta outros nomes, como Vitra, Moroso, Driade, Cappellini e Magis. “Vale também investigar onde estão os desenhos de designs consagrados como Jean-Marie Massaud, Patrick Jouin, Ross Lovegrove e Tokujin Yoshioka”, diz Bork.

Neste ano, as feiras bianuais de móveis e equipamentos para a cozinha Eurocucina, e a de equipamentos para banho, ainda completam o roteiro obrigatório em Rho.

Fora do Salão

Sapatos baixos e muita disposição são essenciais para aproveitar a feira
Divulgação/Saverio Lombardi Vallauri
Sapatos baixos e muita disposição são essenciais para aproveitar a feira
Com os olhos do mundo do design e da decoração voltados para Milão nesta época do ano, não é de se estranhar que toda a cidade entre no clima da festa. Fábricas se abrem para visitações, galpões abrigam escritórios temporários, ruas são decoradas e quase todas as lojas e restaurantes viram ponto de encontro para a promoção ou lançamento de novos produtos e conceitos. “São mais de 500 atividades fora do Salão”, avisa Ullmann.

Uma das regiões mais agitadas nesse circuito obrigatório fora do Salão é a de Tortona, uma antiga zona industrial, cujos galpões foram transformados em grandes showrooms de marcas como Swarovski e Diesel. É nessa área também que se localiza o SuperStudio Piú, uma das lojas de design mais badaladas da cidade.

“É nessa zona que a criação corre solta, com espaço para mostrar as coisas mais loucas e divertidas”, afirma Sandra Bork. Uma dica para saber onde estão localizadas as melhores lojas, eventos e showrooms é ter sempre à mão o guia Interni.

Próximo dali, a poucos passos das galerias Duomo e Vittorio Emanuelle II está o chamado quadrilátero de luxo, com lojas da Alessi, Cappellini, Armani Casa, Cerruti e Dríade.

Apesar das lojas estarem abertas durante todo o dia, os principais eventos começam no fim da tarde, quando o Salão fecha as portas. São exatamente nas festas e coquetéis que se pode facilmente tomar um drinque ao lado de celebridades do design mundial como Ron Arad, Patricia Urquiola ou Philippe Starck. “Por isso é importante se hospedar no centro”, diz Patricia Covolo.

Além da Tortona, os bairros de Brera e Garibaldi também reservam surpresas imperdíveis como a loja 10 Corso Como e os showrooms das marcas Edra, Mloroso, Kartell, Guzzini e Poliform.

DICAS ESSENCIAIS PARA MARINHEIROS DE PRIMEIRA VIAGEM

- Tente se hospedar no centro de Milão ou o mais próximo possível dele. Apesar de parecer mais prático, a região do Salão fica praticamente vazia à noite e a disputa por um táxi para ir e voltar do centro é grande.

- Use as linhas de metrô para se locomover pela cidade. Além de caro e raro, o táxi se torna um meio de transporte não muito rápido por causa do trânsito.

- Reserve de dois a três dias para conhecer todo o Salão.

- Vá para Rho- Pero com um calçado baixo e confortável para não cansar tanto.

- Leve uma mala com rodinhas para ajudá-lo a carregar todos os catálogos e folders que lhe servirão de referência após o evento.

- Não se esqueça de ir munido com uma boa quantidade de cartões de visita, afinal, o evento também serve como oportunidade de negócio.

- Antes de começar a bater perna, alise a distribuição das marcas pelos pavilhões e trace um roteiro com as suas prioridades.

- Mesmo que esteja cansado ou não tenha nenhum convite em mãos, não deixe de circular no circuito “Fuori Saloni” à noite. É lá que você encontrará os principais designers do momento e verá novidades que não estão no Salão. Muitas lojas fazem eventos abertos ao público.


Serviço:

Salão Internacional do Móvel

Eventos Fuori Saloni

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