Com mais de 20 projetos lançados na semana de design de Milão, a designer espanhola reafirma seu papel de nova rainha do segmento

Era impossível caminhar pelos eventos da semana de design de Milão sem se deparar com um projeto assinado por Patrícia Urquiola . Mesmo quando seu nome não estava estampado em grandes letras, como forma de agregar mais valor a determinado produto ou marca, o trabalho da designer espanhola chamava atenção, fosse pelos traços característicos ou pela simples beleza de suas peças entre as demais.

Cadeira Comback, da Kartell, um dos lançamentos de Patricia Urquiola durante a semana de design de Milão
Divulgação
Cadeira Comback, da Kartell, um dos lançamentos de Patricia Urquiola durante a semana de design de Milão
Nascida em Oviedo (Espanha), mudou-se para Milão ainda jovem para estudar arquitetura na escola politécnica, onde se formou em 1989. No ano seguinte tornou-se assistente dos respeitados arquitetos e designers Achille Castiglioni e Eugenio Bettinelli, com quem trabalhou até 1996. Período no qual também comandava, ao lado de Vico Magistretti, o departamento de desenvolvimento de produto e design da marca De Padova. Somente em 2001 decidiu abrir seu próprio escritório de design e arquitetura, com o qual vem ganhando uma série de prêmios importantes, entre eles o de Designer do Ano, dado pelas revistas Elle Décor International, em 2003, e Wallpaper, em 2006.

Depois de assinar de linhas de talheres a hotéis pelo mundo, ela reforçou, neste ano, seu lugar entre os mestres a ditar tendência com o lançamento de mais de 20 peças. Entre elas a comentada cadeira Comback, para a Kartell ; a chaise Big Knit, para a Moroso, e a poltrona Husk, para a B&B Itália. Sem falar das peças expostas em mostras paralelas no Museu Triennale e no centro de Milão.

Confira os últimos lançamentos de Patricia Urquiola na galeria de fotos .

Simpática e atenciosa, ela circulou pelo Salão Internacional do Móvel indo de estande em estande para apresentar pessoalmente seus projetos. Em um destes eventos, o da Kartell, conseguimos alguns minutos de seu tempo para falar um pouco mais sobre seu trabalho.

A designer Patricia Urquiola
Divulgação
A designer Patricia Urquiola
iG: Você não esconde a felicidade pelo lançamento da cadeira Comback, pela Kartell. Trata-se de um projeto especial?
Patricia Urquiola:
É sempre bom poder apresentar projetos e protótipos, mas melhor ainda é poder mostrar a peça quando já está sendo produzida, pronta para as pessoas comprarem. Trabalhamos mais de um ano nesse projeto e foi algo muito complexo, com vários protótipos. O tempo de criação de uma peça é muito mais longo do que as pessoas imaginam, vai muito além do período entre uma edição e outra do salão.

iG: O que lhe inspira?
Patricia:
Qualquer coisa pode me inspirar. O que não chamaria sua atenção, por exemplo, pode ser de grande interesse para mim. É uma forma diferente de pensar, mas, antes de mais nada, é importante ter curiosidade por tudo. Viagens, leituras ou mesmo o rótulo do vinho branco que tomei em meu hotel esses dias. Depois, é só uma questão de digerir essas informações da maneira certa.

iG: Em todos os seus trabalhos percebe-se uma preocupação grande com as texturas...
Patricia:
Essa é apenas uma parte da minha criação. A textura é como a pele de meus produtos, é o como você os sente, toca. Mas antes disso é preciso pensar em toda uma estrutura, um corpo.

iG: Você já trabalhou com uma grande gama de materiais, dos mais simples àqueles com grande tecnologia. Como faz essa escolha?
Patricia:
Depende do projeto. Fazer algo mais ou menos sofisticado não é questão apenas do material. O mais importante é sempre prezar pela qualidade. É preciso cuidar da produção e viajar para acompanhá-la, não importa onde esteja sendo feita, para garantir que suas peças saiam com a qualidade que você espera. Tendo isto em mente, é possível trabalhar com todo tipo de material para criar produtos de maior ou menor custo.

iG: Mas o grau de cuidado com a qualidade também não ajuda a determinar se a peça será destinada a um mercado de luxo ou de massa?
Patricia:
O mundo está ficando cada vez mais democrático e, ao mesmo, mais complicado e complexo quando se trata de educar nossos julgamentos de valor. Há produtos de todo nível e cabe a cada um decidir o que é qualidade para si próprio. Hoje, você pode comprar na H&M ou em lojas de marcas de luxo. Há total liberdade de escolha, e isso é muito bom.


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