Designers de todo o mundo apostam na volta das cores, no uso de materiais sustentáveis e nos traços inusitados

Ainda se recuperando da grave recessão sofrida na Europa nos últimos dois anos, a semana de design de Milão começou a mostrar, neste ano, sinais de que o futuro reserva mais cores e criatividade às residências. Ainda que muitas marcas continuem a apostar no preto como tendência, como aconteceu com a Kartell, que apresentou toda uma linha assinada por designers famosos, só desta cor.

Conheça mais algumas peças que chamaram atenção na Semana de Design de Milão:


Em uma mistura de nostalgia e reaproveitamento de ideias junto a novas tecnologias, clássicos de Charles e Ray Eames foram revisitados por marcas como a Vitra, que valeu-se de polipropileno reciclado para dar um toque mais contemporâneo à peça dos anos 50. Até mesmo o festejado designer egípcio Karim Rashid fez sua homenagem à dupla, com a poltrona Kareames, lançada pela xO.

Cada vez mais conectados à natureza e conscientes da necessidade de se trabalhar com materiais sustentáveis, designers do mundo todo trouxeram peças inusitadas, com formatos orgânicos e grande valorização da madeira e de materiais reciclados. Tal como foi apresentado pela canadense Molo, que apresentou móveis de papel cartão vegetal, e por Tokujin Yoshioka, criador da poltrona Memory, da Moroso que, recoberta por um saco de alumínio reciclado, se molda ao corpo.

“A marca foi uma das mais inovadoras em termos de design. Via-se que todos os produtos foram extremamente estudados e apresentavam texturas, formas, grafismos e contrastes impressionantes. O próprio estande foi todo criado para mexer com o sentimento da gente”, afirma a arquiteta Letícia Ruivo, que esteve no Salão.

O efeito surpresa também foi uma constante tanto nos estandes do Salão de Móveis, quando nas exposições externas. Peça ícone de uma dos guias mais utilizados durante a semana de design, a poltrona Nemo, de Fabio Novembre, brincava com o volume da forma de uma máscara grega, em cujo lado interno (vazio), encontrava-se o assento. O mestre da iluminação, Ingo Maurer, também gerou estranhamento com a luminária Hoi Polloi, que trousse a tecnologia do Led dentro da tradicional lâmpada de bulbo.

Nos ambientes, os tons neutros, como preto, bege, branco e cinza ainda prevalecem, mas aos poucos a sobriedade começa a ser quebrada por cores fortes, como amarelo, roxo, rosa e vermelho, que aparecem em detalhes ou em peças pontuais como a estante de gavetas Spinny, da B-Line, ou a poltrona Senza Fine, de Gaetano Pesce, para a Meritalia. “São complementos marcantes”, diz a arquiteta Sueli Adorni, que também reparou na tendência de coordenar tapetes com forros de sofás, almofadas ou tecidos de parede.

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