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Redecorar a casa pode ajudar a enfrentar momentos difíceis e trazer um novo ânimo de vida

Lila de Oliveira, iG São Paulo

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Foto: Eduardo César/Fotoarena Ampliar

Renata Guerra já adquiriu muitas coisas para sua casa para aliviar as tensões do dia a dia

Pintar a parede de outra cor, trocar móveis de lugar, comprar novos itens de decoração, investir em uma reforma ou até mudar de casa. Situações novas e sentimentos intensos nos levam muitas vezes a alterar o ambiente em que vivemos. Seja para marcar uma passagem ou tentar superar um momento ruim. A solução para o que se está passando nem sempre vem daí, mas não há como negar que repaginar o lar ajuda a renovar o astral.

“Os comportamentos que nos proporcionam prazer imediato, mesmo que passageiro ou ilusório, são usados como escape de problemas conjugais, profissionais ou existenciais. Enquanto estamos engajados nestas ações prazerosas, evitamos o confronto direto com a realidade”, afirma André Luis Jonas, terapeuta comportamental e professor do curso de Psicologia da Anhembi Morumbi. Ele explica que maquiar um problema nunca é o melhor a fazer, “mas é a solução possível, para aquela pessoa, naquele momento da sua vida”.

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Fuga no shopping
A paulistana Renata Guerra, que trabalha em um banco de investimentos, conta que costuma fazer compras “por impulso” para a casa, em inúmeras lojas, como Etna, Imaginarium, Spicy e Fast Shop. “Outro dia estava irritada por vários motivos, mas principalmente porque fiquei trabalhando até tarde. Fui para o shopping e comprei uma moringa e um abajur. Eu achava que o meu estava quebrado, mas, depois, com mais calma, vi que era só a lâmpada que tinha queimado”, diz.

Ela conta que esta não foi a única vez que afogou as mágoas no cartão de crédito e que, no desespero, já chegou a comprar até uma televisão, sem que houvesse de fato necessidade. “Em nenhuma das ocasiões precisava ir ao shopping”, confessa. “Mas quando estou nervosa, tenho que me distrair de alguma forma. E não há nada melhor do que me ocupar organizando e instalando coisas novas em casa.”

Para a bancária aposentada Izilda Camargo, de Embu das Artes, na Grande São Paulo, mudar o visual da residência também é uma maneira de esquecer os problemas. “Quando acordo meio desanimada ou discuto com meu marido, vou direto para lojas de decoração em São Paulo”, afirma. “Gosto de ver minha casa arrumada e renovada e, além disso, fazer pequenas mudanças me distrai e alivia o nervosismo.” Nos impulsos mais recentes, Izilda comprou um sofá e uma cortina e pintou uma parede de cada cômodo de uma cor diferente.

Mudança de endereço

Perda de parente, divórcio e casamento dos filhos podem trazer a sensação permanente de casa vazia e, por isso, mudar para um imóvel menor pode ser a solução. Mudar a decoração ou fazer pequenas reformas também ajuda a manter a mente ocupada. “Algumas vezes, quando estamos com dificuldades para nos transformar, mudamos a casa", afirma a psicóloga Thaís Figueiredo.

De acordo com o terapeuta André Luis Jonas, o ideal é que a pessoa modifique o ambiente de maneira a criar um clima agradável para si e aqueles que convivem ali. “O que dá prazer a alguém, normalmente, está ligado a sua história de vida, mas alguns estudos na área mostram que cores mais claras, luminosidade e ambientes arejados costumam ser opções acertadas”, diz.

“Reciclei minha vida”

A frase da consultora imobiliária Maria Luiza Barreira mostra que a mudança para um apartamento menor foi a melhor solução para o seu caso. Ela já era divorciada quando os filhos saíram de casa e não queria permanecer no local sozinha, “lembrando dos velhos tempos”.

O imóvel escolhido, além de menor, fica em uma rua mais movimentada, no mesmo bairro – o Jardim Paulista, em São Paulo. “Aqui o agito é mais constante, então fica mais difícil bater aquela sensação de solidão. Além disso, tenho tudo mais perto”, conta a consultora, que durante a reforma passou uma temporada em Miami. “Entreguei o novo projeto na mão de uma arquiteta.”

Foto: Divulgação Ampliar

Toques femininos marcam a decoração da nova casa de Ana Alice Ribeiro Pinto

A profissional escolhida, Daniella Sconza, afirma que, entre as prioridades de Maria Luiza, estava a criação de um ambiente claro e atual, com “cara de novo”. “Priorizamos tons claros no suede utilizado para forrar o sofá e nos revestimentos do piso. Também melhoramos a luminosidade da cozinha, onde os armários são supermodernos, e fizemos outras mudanças para deixar o lugar bem aconchegante e acolhedor“, afirma a arquiteta.

Alguns itens de decoração que Maria Luiza possuía foram mantidos. No entanto, ela abriu mão da maioria. “Eu não precisava de tudo aquilo”, confessa a consultora, que hoje se sente mais próxima dos filhos, “feliz e tranquila”.

Começar do zero

Essa era a proposta de Ana Alice Ribeiro Pinto quando procurou o arquiteto Anderson Leite. “Num curto período, perdi meu pai e me divorciei. Então mudei com minha filha e a babá para uma casa com tudo novo”, conta a moradora de Indaiatuba, no interior de São Paulo.

“Pedi ao arquiteto uma casa linda, moderna, feminina e confortável”, afirma Ana Alice, que já nas reuniões com o profissional se sentia bem melhor. “Tanto que nos tornamos grandes amigos”, diz. “Hoje em dia, tenho vontade de sair cedo do trabalho pra ir pra casa, curtir essa minha conquista e ficar mais com a minha pequena.”

Com o projeto finalizado, a empresária olha pra trás e comemora: “graças a essa mudança, hoje consigo ver a vida por outro prisma. Resolvi voltar a cuidar de mim também e hoje tenho um novo amor, com quem vou me casar no ano que vem”.
 

 

 

 

 

 

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