Móveis e objetos para casa ganham a assinatura de arquitetos que investem também no design

Zaha Hadid, Sérgio Rodrigues e Oscar Niemeyer têm muito mais em comum do que apenas a arquitetura: eles emprestaram seus traços para móveis e objetos de decoração. O que muita vezes seria apenas uma peças exclusiva para complementar um projeto arquitetônico acaba dando origem a disputadas linhas de mobiliário.

O último a reforçar o time dos arquitetos designers foi Arthur Casas que acaba de assinar o projeto arquitetônico do Spa Cidade Jardim, onde também foi responsável pelo design de móveis e tapetes do empreendimento . Além disso, ele também desenhou duas peças para a nova coleção da Etel Interiores. O "Aparador Onda" e a "Mesa de trabalho Asa" fazem parte da primeira parceria com a loja de interiores.

Outro arquiteto que faz parte do grupo é o paulista Márcio Kogan. À frente do Studio MK27, ele revela que criar algumas peças exclusivas para os projetos arquitetônicos é comum. “A gente sempre desenhou muito para projetos de interiores, coisas como mesas ou até puxadores, mas sempre eram desenhos mais específicos para o que o projeto pedia”, diz.

No início de 2010 ele fez sua primeira experiência solo na área de design com o lançamento da coleção “Próteses e Enxertos”, na qual transformou móveis usados em canteiros de obra em objetos de desejo, vendidos por até R$ 21 mil na Micasa.

Após uma bem sucedida incursão no mundo do design, Kogan já avista novos projetos na área. “Estamos desenvolvendo uma luminária para uma firma belga, a When Objects Work, mas o projeto ainda não está aprovado”, conta Kogan. Ele ainda revela que o escritório já tem uma linha desenvolvida para uma empresa inglesa, com peças que “tem a ver com o Brasil”, afirma o arquiteto.

A experiência de lançar móveis também está sendo vivida pelo arquiteto Ricardo Caminada. Após uma consultoria para a Líder Interiores, Caminada foi convidado a desenvolver uma estante para entrar no catálogo da marca. “Gosto muito de desenhar estantes para meus projetos, mas como esse modelo é para ser mais comercial, fiz uma coisa bem flexível, com caixas que podem mudar de lugar e de cor”, explica.

Assim como a linha projetada por Kogan, Ricardo Caminada quis reforçar a questão da funcionalidade dos móveis. “Só o design puro tem a estética mais apurada e, às vezes, a funcionalidade da peça fica em segundo plano. Não é este o caso”, afirma. Além da estante lançada na Casa Cor 2010, Caminada também assinou o design dos sofás do seu espaço.

Design como desdobramento

Também com projeto de lançar uma linha de móveis, a arquiteta Fernanda Marques defende o design como um desdobramento de seu trabalho. “Minha carreira como arquiteta está bem encaminhada. Considero o design uma continuidade deste processo”, afirma. “Sinto uma necessidade cada vez maior de dar um conteúdo autoral a tudo que faço e, naturalmente, móveis e objetos não podem ficar de fora”, completa.

Uma das incursões de sucesso de Fernanda como designer é o banco infinito. Feito de lâminas de madeira, o móvel acabou sendo exposto na 8ª Bienal de Arquitetura de São Paulo. Mas, a madeira não é o material eleito por ela para criar os móveis com devem levar sua assinatura. “Estou trabalhando com o aço inoxidável, um material que me instiga. Gosto da idéia de dar maleabilidade a um material tão rígido.”

Nova safra

Uma das criações da HÁZ Design é a Mesa Luz, peça dedicada a leitura
Divulgação
Uma das criações da HÁZ Design é a Mesa Luz, peça dedicada a leitura
Se o design e a arquitetura estão cada vez mais próximos, a nova geração de arquitetos já incorporou esse espírito e se lança no universo do mobiliário. A dupla de arquitetos Saulo Szabó e Fernando Oliveira são um exemplo dessa tendência. Neste ano eles resolveram expandir os horizontes e desenvolver móveis e peças para a casa através da sua nova marca, a HÁZ Design.

Com 80 peças em projeto, sendo que 25 já estão em execução, a HÁZ Design foi lançada na Casa Cor 2010. “Não criamos simples objetos. Damos vida a eles. Uma mesa lateral é mais do que uma simples mesa lateral, é na verdade um cubo que gira, repleto de nichos fechados com cores diferentes”, explica Szabó.

Móveis com humor, como é o caso da mesa que lembra um cubo mágico, brinquedo icônico dos anos 80, ou das mesas feitas com caixas de apicultura, chamam a atenção nas coleções da HÁZ Design. Mas, a inspiração, segundo o Szabó vem de outro lugar. “Nos inspiramos nos móveis antigos, encontrados, em fazendas, onde o encaixe e o uso de poucos parafusos são características essenciais”, afirma.

Designers de interiores e objetos

Mas não são só arquitetos que se aventuram no design de móveis. Decoradores e designers de interiores também emprestam sua criatividade a objetos para dar personalidade e charme aos ambientes, sem que para isso seja necessário contratá-los.

Um deles é o Francisco Cálio. “Desde os anos 80 eu venho trabalhando com móveis. É uma coisa de família”, explica Cálio, lembrando que o pai era proprietário de uma fábrica de móveis. Após um período se dedicando mais à decoração, o designer volta a investir nas suas origens.

“Com o amadurecimento do meu trabalho, estou voltando mais forte para o design”, afirma. Entre os móveis projetados por ele nesta nova fase estão estofados, mesas de jantar e estantes, que já estão sendo comercializadas em lojas como DBox e Miniloft.

Outra prestigiada designer de interiores que também imprimiu seu estilo colorido aos móveis é Neza César, que criou uma linha especialmente para a Design Divino. “O pré-lançamento da linha foi durante a Casa Cor”, explica Neza, que foi responsável pelo Loft da Cinéfila. Uma das peças expostas, a poltrona Bliss, une diversos tipos de tecidos em um desenho clássico, em uma agradável mistura de traços antigos e modernos.


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