Livro reúne as peças que marcaram época e criaram estilos

Nos últimos 150 anos, milhares e milhares de cadeiras foram criadas. Mas, segundo o Design Museum, de Londres, um dos mais respeitados no assunto, apenas 50 delas foram realmente inovadoras e revolucionárias. Tanto, que mereceram ter suas histórias contadas no livro “50 Cadeiras que Mudaram o Mundo”, recém-lançado no Brasil pela Autêntica Editora.

Símbolo relevante de mudanças estilísticas e tecnológicas, a cadeira, mais do que qualquer outro mobiliário, vem se mostrando elemento primordial na construção da imagem das diferentes décadas. Por meio dela é possível conhecer a ideologia, as inovações e os gostos da sociedade em um determinado momento histórico.
“Mais do que ser uma simples cadeira, ela é também um símbolo que se liga ao corpo humano, ao ambiente e à época em que foi fabricada”, afirma Roberto Yokota, professor de design contemporâneo, da Universidade Anhembi Morumbi.

Peças inovadoras

Primeira cadeira a utilizar técnicas a vapor e madeira curva, a Thonet nº 14, de 1859, foi fabricada para em série
Divulgação
Primeira cadeira a utilizar técnicas a vapor e madeira curva, a Thonet nº 14, de 1859, foi fabricada para em série

Primeira cadeira popular feita em série, a Thonet nº 14, de 1859, é um dos exemplos da importância da peça como reflexo de um período. Criada durante a Revolução Industrial, ela permitiu maior acesso das massas ao produto, uma vez que, até então, as cadeiras eram produzidas de forma artesanal.

“Mas, apesar do aumento da demanda da época, motivo pelo qual a empresa austríaca Thonet desenvolveu métodos de produção que se apoiassem em novas tecnologias, como o vapor e madeira curva, a peça era vista apenas em cafés, bares e espaços públicos”, diz o professor.

Por volta de 1925, o designer Marcel Breuer lançou a cadeira B3, uma das primeiras a explorar o aço tubular, material que por ter força estrutural, aparência rígida e ao mesmo tempo leveza e elegância permitiu a criação de novas e surpreendentes formas no design de mobiliário.

“A criação da B3, que posteriormente ficou conhecida como Wassily, em homenagem ao pintor Wassily Kandinsky, remonta à época da Bauhaus - importante movimento que explodiu inicialmente na Alemanha e depois em quase todo o mundo -, que defendia o design funcional, a produção em série e o baixo custo das peças”, explica Yokota.
A cadeira Wassily, do designer Marcel Breuer, foi uma das primeiras a explorar o aço tubular
Divulgação
A cadeira Wassily, do designer Marcel Breuer, foi uma das primeiras a explorar o aço tubular

Outra revolução no design de cadeiras presente no livro é o início do uso de materiais derivados do petróleo, como o plástico. Até o fim da 2ª Guerra Mundial a matéria-prima era utilizada apenas na produção de armamentos bélicos. “A cadeira Lar, Dar e Rar, dos designers Charles e Ray Eames foi uma das primeiras a utilizar o material”, afirma o professor.

Participação brasileira

Apesar da cuidadosa seleção de Deyan Sudjic, diretor do Design Museum, infelizmente os designers brasileiros ficaram de fora da publicação. “Embora tenhamos designers e arquitetos muito reconhecidos no Brasil, como Oscar Niemeyer, Paulo Mendes da Rocha, Irmãos Campana e Sérgio Rodrigues, seguramente suas peças não foram revolucionárias e não mudaram o mundo na visão do diretor”, lamenta Yokota
A obra faz parte da coleção “Mudaram o Mundo”, que já apresentou os 50 carros, os 50 vestido e os 50 sapatos mais importantes da história.

Serviço:
50 Cadeiras que Mudaram o Mundo
Autêntica Editora
Formato: 14 cm x 21 cm
Página: 112
Preço: R$ 34,00
Aquisição pelo telefone: 0800 28 31 322

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