Com o trabalho aplicado em produtos dos mais diferentes segmentos, o artista brasileiro radicado em Miami democratiza sua arte ao extremo e causa polêmica

Reconhecido por seu trabalho com padrões geométricos e tons vibrantes, o pernambucano Romero Britto começou ganhando espaço nos museus e ruas de Miami, conquistou fãs de renome ao retratar Madonna, Obama e a rainha da Inglaterra, e finalmente invadiu a casa de meros mortais com gravuras coloridas e alegres. Mas as paredes não bastavam para mostrar sua arte. A ideia era democratizar. E unir-se a grandes marcas foi a forma encontrada para atingir o maior número de pessoas. Não apenas aquelas que pudessem pagar milhares de dólares.

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A aproximação com as empresas teve início em 1989, quando foi convidado para criar um rótulo para a Absolut Vodka. De lá para cá já customizou carros de luxo, guarda-chuvas, bolsas, almofadas, poltronas, baralhos, embalagens dos mais diversos produtos, potes plásticos, louças, computadores, malas de viagem e, mais recentemente, purificarores de ar. Veja na galeria acima alguns exemplos.

“Ele é o maior artista brasileiro com presença global e foi a escolha perfeita para levar um pouco da alegria do mundo da decoração aos purificadores”, afirma Mônica Nascimento, gerente da categoria purificadores da RB, dona da marca Bom Ar Air Wick. Mas a superexposição dos traços de Britto – se estima que ele já tenha licenciado mais de 200 produtos, fora as parcerias especiais e os usos não autorizados – já começa a dar sinais de alerta. Nas redes sociais, páginas satirizando as infinitas possibilidades de replicar o padrão colorido nos mais diversos objetos se multiplicam e entre os especialistas cresce o coro dos que desclassificam seu trabalho como arte.

Neymar ganha quadro personalizado do artista Romero Britto
Divulgação
Neymar ganha quadro personalizado do artista Romero Britto

“Ele tem uma excelente qualidade técnica de aplicação de cores e imagens que deram certo, mas não o considero um artista no sentido estrito, já que o que faz não dialoga com seu tempo e não questiona nada”, afirma Debora Gigli Buinano, professora de artes plásticas do Centro Universitário Belas Artes, de São Paulo. Crítica que parece não incomodar o profissional – que costuma lembrar o desprezo recebido por Andy Warhol no início de carreira quando o assunto vem à tona – ou influenciar o mercado de consumo.

“Ele é um produto com uma identidade visual clara e desejada, que agrega valor, despojamento e alegria aos objetos”, analisa o professor de gestão de marcas da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Marcos Bedendo. “Enquanto essa associação continuar gerando lucro para as marcas, certamente as parcerias continuarão”, completa. Mônica também não se preocupa. Para ela, a grande pulverização do trabalho "só aumenta o desejo das pessoas de terem um produto com a cara dele", o que torna a combinação de marcas um grande acerto.


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