Coordenador do iF Design, um dos prêmios mais conceituados do mundo no segmento, o alemão Frank Zierenberg analisa o mercado e indica perspectivas para o País

Mostrar aos designers do mundo todo a importância de se manter a identidade cultural nas criações é uma das metas pessoais do alemão Frank Zierenberg. Coordenador do iF Design Awards – uma das premiações mais importantes do mundo no segmento –, ele estará no Brasil entre os dias 7 e 8 de outubro para participar do ciclo de palestras da sexta edição do BoomSPDesign, evento que acontecerá no D&D Shopping, na capital paulista.

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Veja abaixo algumas das peças brasileiras premiadas no concurso europeu iF Design:

“O artesanato é muito ligado à cultura e às tradições de uma região, portanto, representa um trunfo importante no repertório de designers e fabricantes locais”, afirma ele, que, todo janeiro, coordena cerca de 50 especialistas de todo o mundo que se reúnem para selecionar os melhores trabalhos de design lançados no ano anterior. “O objetivo é que o júri veja, toque, teste, explore e discuta as diferentes propostas”, diz Zierenberg.

Entre os principais critérios de análise dos projetos do concurso estão: qualidade do trabalho, escolha de materiais, grau de inovação , impacto ambiental, funcionalidade, ergonomia e segurança. “É preciso que o interessado avalie as premiações muito de perto antes de inscrever um trabalho”, alerta o designer. O ideal ainda é sejam feitas perguntas durante a investigação da importância do prêmio, entre elas o grau de popularidade e importância internacional, a imagem da comissão organizadora, a relevância dos jurados, o número de participantes das últimas edições e seus vencedores.

Conversamos um pouco mais com Frank Zierenberg para descobrir os segredos que tornam uma peça de design digna de prêmio.

O designer alemão Frank Zierenberg acredita no poder do trabalho manual
Divulgação
O designer alemão Frank Zierenberg acredita no poder do trabalho manual

iG: Produtos criados para competições, na maioria das vezes, são inovadores. Algumas destas propostas, no entanto, encontram-se longe do esperado pelos fabricantes. Qual é a melhor maneira de conciliar inovação e a expectativa de mercado?
Zierenberg: Acredito que propostas inovadoras nem sempre entram em conflito com o mercado. Um designer precisa encontrar boas alternativas para as necessidades dos usuários. Se a solução for apropriada, os fabricantes irão reconhecer, pois existirá um motivo claro.

iG: Como é possível manter a essência do artesanato em um processo industrial? Zierenberg: É uma tarefa difícil, porém gratificante. O artesanato está muitas vezes ligado à cultura e às tradições da região, portanto, representa um trunfo importante no repertório de designers e fabricantes locais. Diversos países perderam tal característica durante a ascensão da indústria. O melhor exemplo da coexistência frutífera entre fábricas e manufaturas é a indústria no norte da Itália. Não é surpresa para mim que alguns projetos de móveis brasileiros fortemente enraizados no artesanato estejam sendo produzidos por empresas italianas.

iG: Muitos de nossos designers são reconhecidos no mercado nacional apenas quando bem sucedidos no exterior. O que imagina faltar ao Brasil para reconhecer seus talentos?
Zierenberg: Como um estrangeiro acredito não ser o mais apropriado para responder a esta pergunta. Porém, acho que a grama do vizinho é sempre mais verde. Mas isso é comum em todos os lugares, não apenas entre os brasileiros.

iG: Quando pensamos no meio ambiente, como devemos entender o uso de materiais biodegradáveis no design?
Zierenberg: É extremamente necessário encontrar soluções para os crescentes desafios ambientais que vivemos. Materiais biodegradáveis podem ser uma direção apropriada. Entretanto, é preciso analisar com cuidado os diferentes casos. Estes materiais até parecem ecológicos, mas quando se investiga o ciclo de vida completo do produto , pode ser que não se mostrem tão sustentáveis assim.

iG: O prêmio iF teve início em 1953. Qual é o balanço da participação brasileira nos últimos anos?
Zierenberg: A indústria brasileira de design vem crescendo em um ritmo forte e o número cada vez mais expressivo de inscrições registradas é um reflexo disso. O Brasil já recebeu 234 prêmios no iF Design e, se compararmos a quantidade de inscrições com a de entradas concedidas, o número passa de 10% em 2010 para 22% em 2013. O que mostra claramente a força e qualidade do design brasileiro.


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