Investimento pode ultrapassar R$ 300 mil, mas profissionais garantem que vale a pena

Ambientes criados em mostras de decoração funcionam como verdadeiras vitrines para o trabalho de arquitetos, designers de interiores e paisagistas. O tamanho da repercussão, no entanto, varia de acordo com o porte dos eventos. Exposições representativas como Casa Cor, Mostra Black e Morar Mais Por Menos são as mais disputadas pelos profissionais, já que atingem um grande número de público e mídia. Mas a perspectiva de impulsionar a carreira gera custos que podem ultrapassar a marca dos R$ 300 mil. “Vale muito ter um espaço em mostras grandes, porque fortalece o nome do arquiteto no mercado e expõe seu trabalho na mídia. Participo da Casa Cor SP há três anos e percebo o número de clientes só aumentar”, diz Mayra Lopes, arquiteta.

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O espaço planejado por Mayra Lopes na mostra paulistana é mais uma vitrine de seu trabalho no mercado
Divulgação
O espaço planejado por Mayra Lopes na mostra paulistana é mais uma vitrine de seu trabalho no mercado

A profissional formada em 2005 já tinha se aventurado em uma mostra de Ribeirão Preto, mas o resultado não havia sido expressivo. Por isso, decidiu investir em algo maior. Sua primeira participação na mostra paulistana (com um banheiro de 14 m²) permitiu conhecer arquitetos já consagrados no mercado e expor suas ideias . O retorno positivo fez com que Mayra decidisse repetir o feito neste ano, quando assina o “Bar Camarote Vip”, no Jockey Club de São Paulo. “Já fiz banheiro, quarto de bebê e agora algo mais descontraído. Acredito que todo profissional deva se aventurar em várias propostas. O caráter inovador é o que chama a atenção do público”, afirma Mayra.

Mas para integrar o time de um grande evento de decoração é preciso ter se destacado em alguns projetos. Os organizadores privilegiam nomes consagrados, mas sempre analisam novos (e bons) portfólios. “Oferecemos ambientes pequenos aos novatos, algo como banheiros e espaços comerciais. Apesar disso, já é uma oportunidade de o trabalho deles aparecer até na mídia internacional”, diz Cristina Ferraz, membro do comitê curador da mostra paulistana. Nomes escolhidos, a discussão volta-se para o tamanho do investimento. A maioria das mostras possui preços tabelados que variam de acordo com o tamanho e a importância dos locais. Livings, quartos e cozinhas são visados e custam caro. A Casa Cor São Paulo, que neste ano acontece de 28 de maio a 21 de julho, oferece preços entre R$ 19 mil e R$ 40 mil aos arquitetos, sendo os projetos de paisagismo mais baratos.

“Diminuímos a taxa de ocupação para cerca de R$ 10 mil porque sabemos a dificuldade dos paisagistas na hora de conseguir parceiros. Muitas plantas vêm de viveiros e os profissionais arcam sozinhos”, afirma Cristina. A entrada de patrocinadores – com móveis, eletrodomésticos e outros elementos –- é fundamental na hora de garantir a execução dos ambientes. “O projeto fechado (com itens decorativos, materiais e mão de obra) custaria em torno de R$ 300 mil. Mas tive a ajuda de parceiros e paguei R$ 50 mil”, diz a arquiteta.

A expectativa dos novatos

Com 28 anos o arquiteto Bruno Gap será um dos estreantes na Casa Cor SP 2013, com o ambiente “Ateliê do Estilista”. O profissional conquistou seu espaço ao enviar um bom portfólio (com sete projetos feitos ao longo de seis anos de carreira) ao comitê. “Estar na mostra traz status à carreira. O trabalho repercute na mídia e as pessoas o respeitam mais porque sabem que você foi selecionado por quem é influente na área”, afirma. “Hoje faço apenas alguns espaços nos imóveis dos clientes. Quero conquistar um público de reformas completas. É isso que espero de retorno da mostra”, diz.

A arquiteta Alessandra Akie Shintaku é outra profissional novata neste ano. Vencedora do concurso “Anos 80’s High Tech”, promovido pelo Clickarq e pela Casa Cor, a arquiteta recém-formada fará um banheiro masculino. A experiência de participar do evento permitiu à Alessandra trabalhar com uma equipe própria e administrar problemas em prazos curtos. “O universo de acabamentos também foi novidade para mim. A mostra é interessante porque amplia nossos conhecimentos e traz o convívio de profissionais reconhecidos”, afirma.


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