Símbolo da arquitetura de São Paulo, o edifício Copan representa a diversidade da capital paulista e ajuda a revitalizar o Centro

As linhas curvas do Copan são prova do quanto Oscar Niemeyer também colaborou com a arquitetura da capital paulista. A leveza do traço do arquiteto faz parte do centro da cidade desde a década de 1950, época em que o edifício foi projetado. Com 140 metros de altura e aproximadamente cinco mil moradores, distribuídos por 1.160 apartamentos, o prédio é superlativo como São Paulo. E de acordo com a edição de 1996 do Guinness World Records, o livro dos recordes, também é o maior empreendimento residencial da América Latina.

As linhas curvas do Copan são prova da influência de Oscar Niemeyer na arquitetura paulistana
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As linhas curvas do Copan são prova da influência de Oscar Niemeyer na arquitetura paulistana
Localizado na Avenida Ipiranga, o Copan tem um CEP só para ele, o número 01066-900, e abriga uma galeria onde, atualmente, funcionam 73 lojas. São 104 funcionários no edifício e todos conhecem o local como a palma da mão. Entre eles está o ex-sócio de Niemeyer, o arquiteto Carlos Lemos, que ajudou a finalizar o projeto ainda nos anos 1950. “O Copan não é um prédio, mas são vários ‘Copans’, são quatro torres de apartamentos, com entradas distintas e apartamentos de vários tipos.”

O casal de arquitetos Eduardo Aquino e sua esposa, a canadense Karen Shanski, decidiram morar no edifício para entender como é viver na famosa obra de Oscar Niemeyer. Aquino acredita que “as características arquitetônicas, a conduta da administração e a própria dinâmica social entre os moradores são fundamentais para o bom funcionamento do local”. O síndico, Affonso Celso Prazeres, que está no cargo desde 1992, afirma emocionado: “eu sinto amor pelo Copan”.

Para Paulo Mendes da Rocha, outro ícone da arquitetura brasileira, “quem mora no Copan é rei”. Ele mesmo já residiu no edifício em duas situações diferentes e, ainda hoje, seu escritório fica a poucos metros dali. A possibilidade de ir a pé ao Teatro Municipal, à Pinacoteca do Estado e ter fácil acesso a todos os serviços da região central atestam a afirmação de Mendes da Rocha. Foram justamente essas facilidades e riquezas culturais que também levaram o professor e escritor gaúcho Samuel Frison, a comprar um apartamento no prédio. “Tenho um apartamento no 15º andar e quero sentir São Paulo dentro dele, não quero nem colocar cortinas na janela. O Copan me fascina.”

A arquiteta Maria Ruth Sampaio, acredita que “está na moda morar no centro de São Paulo novamente” e a diversidade de tipos de apartamentos do Copan ajuda a trazer ainda mais gente à região. Ao se mudar da capital mineira para São Paulo, há cerca de seis meses, a pedagoga Juliana Junqueira decidiu que começaria sua vida a dois, com o administrador Leonardo Santos, no prédio. “Os mineiros têm um carinho muito grande por Niemeyer. Em Belo Horizonte queria ter morado no edifício JK (também assinado pelo arquiteto), então, morando aqui sinto que estou em uma extensão da minha cidade.”

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