Entenda como funciona o retrofit, técnica que atualiza as construções sem modificar suas características originais

Imagine um prédio comum, com mais de 40 anos. Agora, pense como seria se ele ganhasse traços atuais, uma escadaria nova, mais vagas de garagem, uma bela cobertura e o melhor de tudo: uma varanda de 20 m² que se abre para o parque Trianon, na capital paulista? Pode acreditar, isso é possível!

Marco Donini e Francisco Zelesnikar são os responsáveis pelo retrofit desta antiga residência, que agora abriga consultórios médicos
Divulgação
Marco Donini e Francisco Zelesnikar são os responsáveis pelo retrofit desta antiga residência, que agora abriga consultórios médicos
Não se trata de uma simples reforma, a técnica foi batizada como retrofit. “O termo significa realizar uma renovação sem perder as características originais das edificações”, explica o arquiteto Paulo Filisetti, responsável pelo projeto descrito acima. Em pouco tempo o edifício ganhará novos ares e, de quebra, deverá se valorizar em torno de 70%. “O valor investido nesse processo compensa, já que os resultados são imediatos”, afirma.

Os custos com as modernizações variam de acordo com as mudanças a serem realizadas. “O investimento não costuma ser pequeno, mas vale a pena”, ressalta. Além de ser bom para o bolso, o retrofit pode mudar o dia a dia dos moradores. “Viver em um local bonito e com tudo funcionando perfeitamente é sinônimo de qualidade de vida”, afirma o arquiteto Marco Donini. “Não é apenas um banho de loja, como dizem por aí. Representa uma mudança funcional e espacial”, completa.

Para ele, a técnica está em expansão, mas ainda não é muito usada pelos profissionais da área. “É preciso haver um esforço para mudar o ponto de vista. Atualmente, é mais comum demolir para depois construir. O mais indicado, porém, é aproveitar o que já existe e transformar com intervenções inteligentes.”

Com o retrofit, a edificação inteira pode ganhar novos ares, desde a fachada até os ambientes internos. “É possível trocar uma piscina de lugar para aproveitar melhor a insolação, restaurar antigas esquadrias, mudar a disposição dos cômodos e muito mais. A lista é grande”, diz Filisetti.

Estudo cuidadoso é apenas ponto de partida

O retrofit, do escritório FGMF, transformou o galpão abandonado em refeitório. Apenas estrutura, fundações e cobertura foram aproveitadas integralmente
Divulgação
O retrofit, do escritório FGMF, transformou o galpão abandonado em refeitório. Apenas estrutura, fundações e cobertura foram aproveitadas integralmente
O projeto deve começar por um estudo completo das instalações. “É imprescindível analisar todos os detalhes, que vão desde legislação, meio ambiente e urbanismo até um levantamento físico, topográfico e estrutural”, afirma Donini.

Primeira etapa cumprida, eis que chega o momento mais esperado: é hora de mudar! As alterações realizadas com maior frequência, de acordo com o arquiteto, são melhorias na infraestrutura (hidráulica, elétrica, ar-condicionado e telefonia), impermeabilização da garagem, recuperação dos revestimentos da fachada e instalação de um sistema de segurança.

“Esses são os pedidos iniciais, mas com o desenrolar da obra, os proprietários passam a repensar as formas de aproveitar melhor o espaço” diz o arquiteto Lourenço Gimenes, do escritório Forte, Gimenes e Marcondes Ferraz.

Obra verde

A fachada do edifício recebeu um jardim vertical que percorre todas as janelas. Projeto do escritório Bracher, Filisetti e Somlo
Divulgação
A fachada do edifício recebeu um jardim vertical que percorre todas as janelas. Projeto do escritório Bracher, Filisetti e Somlo
Na lista de vantagens que a técnica oferece, uma em especial se destaca: a possibilidade de contribuir com a natureza. Para a arquiteta Lílian Melo, essa é uma das principais vantagens do retrofit.

“Finalmente os profissionais da área começaram a perceber que nem tudo é descartável. O que é bom e marcou época pode muito bem ser renovado e integrado a características atuais, sem agredir o meio ambiente”, diz.

A nova localização da piscina, no projeto do escritório Bracher, Filisetti e Somlo, fez com que ela recebesse luz natural com frequência
Divulgação
A nova localização da piscina, no projeto do escritório Bracher, Filisetti e Somlo, fez com que ela recebesse luz natural com frequência
É completamente viável adotar tecnologias que tornam a obra sustentável e ecológica. Uma delas pode ser vista em um dos projetos assinados por Filisetti em um prédio antigo da capital paulista: um jardim vertical gigante, que acompanha a extensão da fachada e ajuda a manter o ar puro, além de levar um pouco de natureza à metrópole.

Outras soluções verdes são a instalação de sistemas de captação de água das chuvas, placas coletoras de luz solar e o planejamento de aberturas maiores que permitem a entrada constante de luz natural. “Algumas mudanças e a modernização da rede hidráulica também podem ajudar a reduzir o consumo de água”, afirma o arquiteto.

Novas tecnologias no antigo

O escritório Cláudio Helú resgatou a ornametação original do edifício Casa das Arcadas, construído em estilo neoclássico
Divulgação
O escritório Cláudio Helú resgatou a ornametação original do edifício Casa das Arcadas, construído em estilo neoclássico
Novas tecnologias, como a automação residencial, também podem fazer parte de construções antigas. “Elas são aplicáveis a qualquer tipo de edifício e devem ser usadas de forma equilibrada”, diz Martin Corullon, do escritório Metro Arquitetos Associados.

Para Gimenes, essa atualização tecnológica é perfeitamente possível, mas depende das condições do imóvel. “É essencial o prédio ter uma pré-disposição para isso. Tudo depende de sua configuração física e estrutural para a execução de novas redes.”

Outra solicitação feita com frequência, segundo ele, é a instalação de relógios individuais de água e luz. “Mas essa alteração nem sempre é possível devido às instalações pré-existentes”, conta.







Serviço:


Filisetti e Somlo Arquitetos
Rua Silvio Portugal, 193 – São Paulo (SP)
Tel: (11) 2589-6885

Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz Arquitetos – FGMF
Rua Mourato Coelho, 923 – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3032-2826

Lilian Melo
Rua Porto Martins, 70 – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 5102-4775

Marco Donini e Francisco Zelesnikar
Rua Groenlândia, 54 – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3887-7866

Metro Arquitetos Associados
Rua General Jardim, 645 – São Paulo (SP)
Tel.: (11) 3255-1221

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.