Primeira filial da unidade de Paris, o Museu Rodin na Bahia une no mesmo espaço arquiteturas tradicionais e modernas

O Palacete Comendador Catharino foi reformado para receber o museu Rodin
Nelson Kon
O Palacete Comendador Catharino foi reformado para receber o museu Rodin
Depois do sucesso das exposições do escultor francês Auguste Rodin no Brasil, eis que o país ganhou, no fim de 2009, a primeira filial do museu do mestre, cuja matriz fica em uma linda área verde em Paris.

O local escolhido para abrigar as obras do artista foi o Palacete Comendador Catharino, antiga residência da família Catharino no início do século XX, em Salvador.

Segundo a responsável científica pela coleção Rodin na Bahia, professora Heloisa Helena, a ideia de trazer o museu para a capital baiana partiu do diretor do próprio Museu Rodin de Paris, Jacques Vilain, e do artista plástico baiano Emanoel Araújo, na época diretor da Pinacoteca de São Paulo.

Para receber o museu, o prédio deve de ser todo restaurado e ampliado. O que exigiu a construção de um novo edifício anexo. Trabalho comandado pelo escritório Brasil Arquitetura.

“Eu e meu sócio Francisco Fanucci tivemos o privilégio e o desafio de ligar em uma só estrutura duas épocas distantes em arquitetura, com um intervalo de quase 100 anos – 1913 e 2006”, diz o arquiteto Marcelo Ferraz.

Intervenções delicadas e pontuais foram feitas no Palacete ao longo de sete anos para que ele tomasse corpo e cara de museu. Entre elas a instalação de modernos equipamentos de climatização, iluminação, segurança e controle.

Reaproveitamento de materiais e adaptações

Como o objetivo era receber em média três mil visitantes por dia, foi preciso renovar o sistema de circulação vertical do Palacete, uma vez que tanto as escadas quanto o pequeno elevador do prédio não estavam preparados para receber uma quantidade grande de pessoas. Assim, um novo elevador e uma nova escada foram construídos respeitando as normas de segurança atuais.

Para a construção da nova escada, que agora dá acesso a todos os pavimentos do palacete – térreo, primeiro e segundo andar e sóton, onde funciona um auditório preparado para receber palestras e cursos - foi necessário derrubar uma varanda que ficava no canto da sala principal.

Os dois primeiros pavimentos da Mansão da família Catharino foram destinados à exposição de todas as 61 obras de gesso de Rodin, vindas diretamente da França. No térreo, uma loja espera os visitantes com lembrancinhas do museu.
Mesmo com tantas mudanças, muitas características foram mantidas, como as pinturas pré-existentes nas paredes e no teto de alguns cômodos. Também houve reaproveitamento do mármore e da madeira que revestiam os salões.

No jardim com árvores seculares e passeios feitos de piso modulado de pedra portuguesa é possível observar quatro esculturas de bronze de Rodin.


Na área nova, concreto e vidro

O novo edifício ocupa a mesma área construída do Palacete e compõem encaixe perfeito com a mansão. “Apesar de terem duas arquiteturas completamente diferentes, houve muito sintonia na união das estruturas”, afirma Ferraz. Uma lâmina de concreto, que serve como passarela e cobertura para quem caminha no nível do térreo, faz a ligação dos prédios.

Batizada “Sala de Arte Contemporânea”, a nova edificação é um grande espaço aberto com janelas e portas de vidro, onde acontecem exposições de artistas diversos. “É interessante receber obras de diferentes artistas, fazendo um contraponto com as peças de Rodin”, diz Heloisa.

Um mezanino, local de chegada dos visitantes pela passarela, e um café-bar completam a estrutura da nova construção.

“Ter a filiar de um museu tão importante como o Rodin, na Bahia, faz do Brasil um importante país no cenário cultural do mundo”, conclui Heloisa.

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