Na casa do designer, objetos ganham novos usos e dão um toque inusitado à decoração

Responsável pela criação de peças de design inusitado como a raquete espelho, a luminária de meia calça e o cisne de metal carregado por Playmobils – todos à venda na Micasa – Felipe Morosini não limita sua criatividade ao trabalho. Coerente com sua arte, o fotógrafo e ex-advogado fez de sua casa uma extensão de sua visão de mundo, na qual tudo pode e deve ter uma nova leitura.



Foi com base nessa filosofia que ele decidiu se mudar, há oito anos, para o antigo apartamento de 242 m² de sua bisavó. Um imóvel da década de 40, pertencente ao ex-governador de São Paulo, Abreu Sodré, localizado na avenida São João, no bairro paulistano de Santa Cecília. A diferença é que, naquela época, o Minhocão não passava bem embaixo da janela.

“Morar aqui era um luxo”, diz ele. “Hoje tenho que colocar 10 trancas na porta e fechar a chaminé para reduzir a entrada de fuligem”, completa Morosini, que ainda não criou coragem para colocar vidros antiruído nas janelas. “Teria que gastar mais de R$ 50 mil.”

Casa galeria

Mesmo com a região desvalorizada ele conseguiu transformar seu cantinho em um mundo à parte. Logo no hall de entrada, decorado com uma instalação de manequins em tamanho natural, é possível prever que, dali em diante, cada passo reservará uma surpresa. Do lado de dentro, a foto em branco e preto da bisavó, uma penteadeira pertencente a ela e um cartaz de circo dá as boas-vindas.

Na sala ensolarada, instalações e peças criadas pelo artista convivem em harmonia com móveis de design retrô e com o papel de parede conservado ao redor da lareira. “A primeira coisa que fiz foi pintar as paredes de branco e arrancar as cortinas para poder ficar com a vista”, lembra.

Com um dos tapetes herdado da bisa, o artista delimitou o espaço da sala de estar, onde um baú antigo faz as vezes de mesa de centro e uma árvore serve de apoio a luminárias japonesas. Na mesa lateral, a taça recebida por seu pai após uma prova de ciclismo foi transformada em vaso.

O mesmo desapego Felipe mostra ter com os quadros e fotos pendurados na sala de jantar, onde reinam pesados móveis de madeira e um banco de igreja todo entalhado com mensagens. “Não sou apegado às coisas. Desde pequeno tenho mania de colocar bigode em tudo”, diz, mostrando a intervenção feita em uma réplica da Monalisa.

Tudo se transforma

Provido de um pequeno balcão com vista para o Minhocão, o escritório de Morosini ainda conserva o piso de tacos de madeira e o papel de parede originais da casa. Por falta de mesa própria para ampliar o espaço de trabalho, o aparador de madeira da cozinha foi chamada à roda, assim como a cadeira dos tempos de advogado, que revestida de couro e tecido estampado ganhou novos ares. Nas paredes, obras da artista colombiana Lina Arias.

A cozinha foi a única parte da casa que mereceu mais atenção estrutural. “Como era muito apertada, resolvi quebrar a parede que levava a uma espécie de dispensa. Foi tudo na machadada,” diz ele, que conservou o piso de acrilite com toques brilhantes.

Delicados, os azulejos também foram deixados como estavam. A não ser em uma das paredes, onde a retira de uma única peça solta que seria rejuntada desencadeou uma verdadeira avalanche. “Caiu tudo e ficou assim, lisinho. Então resolvi deixar no cimento mesmo.”

Para decorar, Morosini pendurou uma bolsa de borracha em formato de galinha – “comprei já pensando em colocá-la aí” - e um grande relógio azul. Cadeiras de diferentes estilos e cores completam o mobiliário. Tudo harmoniosamente desparceirado.



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