Arquitetura funcional e contemporânea marca o espaço em que o artista vive e trabalha

Há cinco anos, duas casas tradicionais dos anos 1940 localizadas no bairro do Jardim América, em São Paulo, foram postas abaixo para dar espaço a dois caixotes brancos de concreto. A transformação, que poderia revoltar os mais conservadores, deu lugar ao refúgio do artista plástico Gustavo Rosa.

“Quis começar do zero e fazer uma estrutura moderna e contemporânea, que tivesse a minha cara”, diz Rosa, que hoje trabalha e vive no local. A opção de unir as duas atividades num mesmo espaço vem de longe. “Antes de me mudar para cá já era assim. Eu prefiro, é mais cômodo e eu gosto dessa comodidade.”

Três em um

Artista de destaque nas artes visuais brasileiras, Gustavo Rosa reflete em sua casa a mesma originalidade e sofisticação de suas obras. Prova disso é o imenso galpão de trabalho, recortado em vários ambientes: ateliê, estúdio e solarium “Tudo aqui tem estrutura contemporânea, inclusive as janelas redondas, inspiradas em escotilhas, uma das minhas grandes paixões.”

O primeiro ambiente que se vê dentro da imensa caixa branca de concreta é o ateliê, com a mesa de trabalho do artista e uma estante com vários livros. “Finalmente, depois de tantos anos de tentativa, eu consegui organizar tudo em uma estante só”, explica o artista.

Ao lado do ateliê, o artista plástico construiu o seu estúdio particular, onde estão todas as suas obras em ordem cronológica, indo desde as primeiras telas, até as mais atuais, como a que esteve no museu do Louvre, em Paris, em dezembro de 2009.

Logo na entrada do estúdio, uma cômoda antiga feita de zinco e madeira e usada em fazendas para guardar mantimentos serve de base para uma escultura de gato.

A união do antigo com o novo compreende uma das principais características da decoração da casa-estúdio. “Adoro mesclar o tradicional com o contemporâneo. Faço isso em todos os cômodos.”
Instalado em um mezanino, o escritório do artista permite ter-se uma visão completa do local. “Construí dessa forma para unir, ainda mais, os ambientes”, explica.

No último andar foi criado um solarium, onde Gustavo Rosa toma sol e faz reuniões com amigos. “Já fiz até um almoço de aniversário para o Clodovil, aqui.”

Mistura de tendências

O mesmo ar despojado e contemporâneo do estúdio se reflete na área íntima da casa. Obras assinadas pelo dono do imóvel estão por toda parte, assim como quadros e escultura de outros artistas, como Aldo Bonadei, Alfredo Volpi e Xico Stocker. Peças de antiquário, tais como a geladeira de madeira, usada como estante para porta-retratos, a mesa de centro antiga, as cadeiras Bauhaus e o triciclo dos anos 40 também fazem parte da decoração.

No segundo andar da casa, o quarto do artista é simples, porém descreve exatamente a mistura do tradicional com o moderno que Gustavo tanto gosta. “Meu canto preferido é o que tem a poltrona, um armário antigo e quadros de Bonadei e Volpi.”

Apaixonado por carros, Gustavo Rosa fez questão de ter uma garagem sofisticada acoplada à sala. “Quis fazer um lugar agradável para admirar meu Mini Cooper.” 

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