Fugir de áreas de risco e reforçar as fundações são dicas fundamentais para não ser pego de surpresa

Áreas de risco, como os morros cariocas, devem ser evitados
AP/Samitri Bar
Áreas de risco, como os morros cariocas, devem ser evitados
Com o aumento do volume das chuvas e a crescente ocupação dos morros para moradia, sobem também os riscos de deslizamentos de terra, que varrem tudo o que há pela frente: pessoas, árvores e casas. Para evitar esse tipo de tragédia é preciso estar atento antes mesmo de começar a obra, com a análise cuidadosa do terreno.

“É fundamental verificar o grau de declividade, a proximidade do terreno de áreas com histórico de risco e a devida distância de beira de rios e córregos”, diz o geólogo Agostinho Ogura, do Laboratório de Riscos Ambientais do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Se não houver vizinhos para se levantar o histórico do local, a geóloga Luciana Pascarelli, da Secretaria de Coordenação de Sub-Prefeituras de São Paulo, indica observar a natureza ao redor. “Quanto mais antigas forem as plantas, menor será o risco.” Por outro lado, a existência de blocos de rocha rolados e rachaduras nas residências próximas são indícios de problemas.

Em algumas regiões, também é possível obter informações sobre o subsolo e áreas de risco nas prefeituras e unidades da Defesa Civil. A legislação ambiental também é outro parâmetro que deve ser levado em consideração.

Cuidado com a fundação deve ser redobrada em morros

De posse dos estudos de viabilidade de ocupação do terreno é possível dar início ao projeto de construção, que também deverá ser adequado às características do solo.

Em solos mais espessos é possível aprofundar a fundação para dar mais estabilidade à obra, mas se a camada de terra for estreita, será preciso perfurar a rocha, o que pode encarecer a obra. “É preciso lembrar que quando se faz um corte profundo no morro interfere-se diretamente em sua estrutura. Isso pode gerar desastres não previstos, pois será necessária uma nova acomodação da terra”, completa a geóloga Luciana.

Edificações em locais de declive também pedem a construção de muros de arrimo ou de contenções, para dar maior estabilidade. No caso do muro de arrimo pode-se fazê-lo com bloco estrutural armado, na qual a armadura de ferro é montada passando dentro dos blocos e depois os mesmos são preenchidos por concreto. Ou usar arrimo misto, com pilares e vigamentos de concreto armado e fechamento com bloco estrutural. Outra possibilidade é fazer uma cortina de concreto armado, mas a melhor solução só poderá ser definida por um profissional, de acordo com a situação do terreno e as necessidades do projeto.

Por fim, para garantir que a água das chuvas não arraste a vegetação em volta da casa e não comprometa a própria construção, é recomendável instalar canaletas e drenos que conduzam a enxurrada para uma área distante, onde não haja risco de erosão. Reservatórios de água também ajudam a frear o volume de líquido no sistema de água e esgoto em dias de temporal.

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