Antes restritas ao ambiente escolar, as lousas invadiram salas, quartos e cozinhas criando espaços criativos e funcionais

O arquiteto Antônio Ferreira usou a lousa na cozinha para informar sobre cortes de carne
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O arquiteto Antônio Ferreira usou a lousa na cozinha para informar sobre cortes de carne
Subverter e ampliar o uso de materiais está em alta entre arquitetos e decoradores. E nessa toada, um dos materiais que mais tem agradado é o uso das antigas lousas verdes, tão difundidas nas escolas, no acabamento de paredes de cozinhas, quartos e salas.

Desta forma, onde antes existiam espaços neutros e sem uso, surgem verdadeiros quadros mutantes, que convidam a soltar a imaginação. “É uma solução divertida e útil”, afirma o arquiteto Antônio Ferreira, do escritório Antônio & Mario Arquitetura.

De fácil aplicação – ela só querer uma parede bem lisa -, as tintas para lousa não devem ser uma moda passageira para dar um acabamento diferenciado às paredes, assim como os adesivos. “Eles, vieram para ficar. As pessoas curtem muito deixar recadinhos, lembretes. É bacana interagir, isso torna o dia-a-dia mais divertido”, diz a artista plástica Doris Sochaczewski, proprietária da loja Coisas da Dóris.

Diversão e criatividade a solta

A primeira vez que Ferreira valeu-se da ideia – no seu caso, a inspiração veio de uma lousa instalada em um restaurante, onde era escrito o prato do dia – foi para decorar a parede de uma cozinha de 30 m2. “Coloquei uma receita e um desenho de vaca, como aqueles que têm no açougue, mostrando os cortes da carne”, conta.

A artista Doris Sochaczewski comprou na França a tinta para lousa cor de rosa
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A artista Doris Sochaczewski comprou na França a tinta para lousa cor de rosa
Já no caso de Doris, usar esse revestimento inusitado foi uma maneira de dar outro astral ao quarto da filha, Alice, assim que a família mudou de casa.

“Ela tinha odiado o quarto, o prédio é antigo e o quarto dela permaneceu totalmente original, com um armário de 50 anos. Então resolvi pintar uma das portas de framboesa”, conta Dóris, que comprou a tinta colorida na França onde a cartela de cores desse tipo de tinta ainda inclui tons de azul e malva
A intervenção deixou o quarto mais moderno e jovem. Clima reforçado por bilhetes e desenhos deixados pelas amigas e primas.


Escrever na parede

No caso do arquiteto Carlos Tavares, o uso da tinta de lousa em projetos residenciais nasceu como alternativa à utilização de quadros de anotações com ímã. “A ideia veio do próprio cliente”, lembra ele, que desde então já se valeu do recurso em cozinhas e quartos infantis.

Neste caso, a solução surgiu como forma de aliviar o trabalho dos pais na hora de limpara as paredes rabiscadas com lápis de cor e giz de cera. “Pode-se, inclusive, colocar cortinas nas laterais da lousa, transformando-a em um verdadeiro palco de teatro, onde as crianças desenham os personagens”, afirma o arquiteto.

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