Agências de publicidade investem na arquitetura para reafirmar suas identidades

Já é sabido que o cuidado com a arquitetura e decoração de onde vivemos diz muito sobre quem somos e como pensamos. Assim, não é de se estranhar que agências de publicidade, cujo trabalho fundamental é cuidar da imagem e da promoção positiva de marcas e produtos, invistam cada vez mais na apresentação de seus espaços.



“A estética da agência deve refletir sua linguagem, criatividade e modernidade”, afirma o arquiteto Sig Bergamin, responsável pelo novo lay-out da África, agência comandada por Nizan Guanaes. “Além disso, como o cliente, hoje, visita muito mais os publicitários, ter uma sede bem cuidada e pensada em seus mínimos detalhes é uma forma de homenageá-lo”, completa.

Criador do primeiro projeto da agência, em 2002, Sig preferiu ater-se, agora, aos detalhes de cor e textura e à readequação das áreas ocupadas, para dar uma nova cara aos ambientes sem perder de vista o estilo adotado desde o começo.

“A ideia era trazer uma África mais pop, colorida, moderna e irreverente sem ser étnica”, explica o arquiteto. Para isso, reduziu a carga de madeira, palha e tons escuros para brincar com papéis de parede estampados, carpetes coloridos e ambientes mais amplos. Tudo remodelado num trabalho de pouco mais de 48 horas.

“É como trocar de cenário no teatro. Tem que ser tudo muito rápido, para não atrapalhar o andamento da peça. Por isso, sempre levo uma equipe que já está afinada, na qual cada um já sabe exatamente o que tem de fazer.”

Neste caso, pintar as portas dos banheiros de vermelho (feminino) e preto (masculino), e neles aplicar adesivos surrealistas, trocar parte do carpete preto por vermelho, remanejar a localização de paredes de dry wall para ampliar salas – entre elas a da criação – aplicar papéis de parede ingleses (comprados na Celina Dias) com diferentes padronagens em salas e corredores, e dar o toque final com peças de design assinado. Caso da colorida poltrona Shadowy, do designer Torde Boontje, que se tornou uma das coqueluches da nova recepção.


Modernidade com clima industrial

Mas investir em um visual diferenciado não é estratégia só de grandes agências com a Loducca, que contratou o escritório de arquitetura Triptyque para projetar sua nova sede em Pinheiros, ou da NeoGama, que vem ganhando destaque na mídia com sua ampla e surpreendente instalação na Vila Leopoldina.

No bairro dos Jardins, a Dim Propaganda decidiu aliar praticidade e modernidade em sua cobertura-sede. Depois de demolir todas as paredes pré-existentes para dar lugar a um grande salão de criação, as vigas de concreto aparente serviram de base para a instalação de luminárias e divisórias, num projeto de baixo custo, mas alto impacto visual.

Paredes de vidro e brises móveis de treliça foram usadas para dar privacidade à salas de reunião e bibliotecas. Cascas de árvore acomodadas na floreira de vidro trazem um toque mais acolhedor ao ambiente industrial, assim como as luminárias vermelhas da Reka e os bancos coloridos “bolota”. Na principal sala de reunião, destaque para a mesa de vidro serigrafado, que serve de lousa para pequenas anotações.

Inovação a baixo custo

Responsável pela remodelação da Dim, a empresa FGMF Arquitetura repetiu a receita de sucesso ao criar uma estrutura de baixo custo e alto nível criativo para o Studio Kultur, um misto de galeria de arte e agência de publicidade e design, na Vila Madalena, em São Paulo.

No espaço, antes ocupado por uma cozinha industrial, foi projetado um galpão para sarais culturais e exposições de novos artistas, e uma ala para o trabalho formal de artistas gráficos. É ali que Fernando Forte, sócio da FGMF, pode dar asas à imaginação de sua equipe até surgir o principal diferencial do projeto, uma estrutura de MDF que faz as vezes de pergolado e suporte de luminárias no teto, desce pelas paredes em forma de estante e termina em espaçosas mesas de trabalho.

“Para completar a estrutura, pintamos as paredes com tinta de lousa, onde é possível fazer anotações ou soltar a veia artística para decorar o ambiente, e transformamos uma mesa de ping-pong em mesa de reunião, para dar o ar despojado do grupo”, explica Forte.


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