Integradas às áreas sociais, elas demandam ventilação natural e materiais que não sofrem desgaste com a maresia

O estilo rústico-chique, as grandes bancadas, a funcionalidade e a discreta separação entre os ambientes têm aparecido cada vez mais nas cozinhas das casas de praia. Expostas à maresia, elas não devem conter materiais sujeitos à oxidação e o projeto deve priorizar a ventilação natural.

“A tendência mais marcante é a integração da cozinha aos ambientes sociais”, afirma o arquiteto Leonardo Junqueira. Pisos de tons diferentes, desníveis e transparências podem ajudar a delimitar as áreas. Mesma função pode ter a própria ilha ou bancada de trabalho, como no projeto criado por Junqueira para uma casa na praia de Iporanga, no Guarujá (SP).

A cozinha gourmet, usada pelo proprietário, que gosta de receber e cozinhar para amigos, é totalmente integrada às salas de jantar e estar, e à varanda, que conta com outro apoio de cozinha, com churrasqueira, forno de pizza elétrico e chopeira.

A ilha com três cooktops é revestida por tampo de mármore travertino romano navona, serrado e estucado. Uma coifa piramidal em inox, coberta com peroba-do-campo, completa o ambiente.

Tudo à mão

No projeto assinado por Toninho Noronha e Renato Andrade, em Búzios (RJ), a funcionalidade foi a tônica da cozinha de 64 m². Integrada ao jardim por uma porta de vidro que se estende por uma parede inteira, a área conta com duas ilhas em granito Aqualux serrado – material rústico, também usado no piso e nas prateleiras.

Destinada ao preparo e cozimento dos alimentos, a ilha central ganhou um degrau em mármore chocolate que pode ser usado para apoiar ingredientes. À segunda ilha foram reservados os trabalhos de serviço e limpeza.

A planta original ainda teve de ser alterada para dar espaço a um armário com prateleiras de granito e portas de vidro, que serve de despensa e louçaria. Tudo para bem atender aos ocupantes das 12 suítes da casa de 3 mil m².

“A cozinha ia ficar com uma cara muito industrial, mas como está integrada às áreas sociais, tentamos torná-la o mais elegante possível”, afirma Renato. “Por isso mantivemos a estrutura em madeira cumaru, presente em todo o imóvel.”

Cozinha de estar

Para o arquiteto Flavio Castro, essa integração é primordial. “A cozinha assume função estratégica, pois se torna o eixo de comunicação entre as áreas servidas e servidoras”, diz.

Na casa que projetou na praia de Acapulco, no Guarujá, o revestimento mais escuro no piso e a bancada determinam os limites entre a sala e a cozinha. Para ele, “o duplo balcão, com tampos de mármore Café Imperial, em duas alturas, deixa claro que se trata de um local de integração, que não isola o cozinheiro dos convidados”.

Cuidados necessários

A maresia e a alta umidade do ar pedem revestimentos não muito porosos nas cozinhas de casas no litoral. “A proximidade com a praia traz um grande acúmulo de impurezas nas superfícies”, explica Castro.

Os materiais que melhor se preservam são aqueles vitrificados, pétreos ou à base de alumínio. Nas bancadas, predominam granitos, pedras especiais, como o Silestone, e aço inox.

Leonardo Junqueira destaca alguns materiais que devem ser evitados: puxadores de palha ou ferro, que oxidam com facilidade, e papéis de parede, que podem embolorar.

A associação destes materiais em um projeto que prioriza a ventilação natural, em detrimento do ar condicionado, evita o desgaste causado pelo clima praiano e garante a preservação dos acabamentos.

“A renovação do ar é importante em todos os ambientes da casa, especialmente na cozinha”, afirma Castro, que optou pelo pé direito de 5,70 m no projeto da casa na praia de Acapulco justamente pela necessidade de ventilação, além, é claro, do efeito estético.

Serviço

Flávio Castro
Al. Dos Guaicanãs, 790 - São Paulo (SP)
Tel: (11) 5078-7134

Leonardo Junqueira
Rua Padre João Manuel, 1.212 conjunto 92 – São Paulo (SP)
Tel: (11) 3088-7578

Toninho Noronha
Rua Pedroso Alvarenga, 755 conjunto 31 – São Paulo (SP)
Tel: (11) 3167-1787

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