Nascido na Itália, Pace mudou-se para o Brasil na década de 1950, quando estimulou o mercados de antiguidades

O arquiteto italiano Ugo di Pace estreará na Casa Cor SP 2010
Divulgação
O arquiteto italiano Ugo di Pace estreará na Casa Cor SP 2010
Nascido em Nápoles, na Itália, Ugo di Pace cresceu apreciando o trabalho do pai e arquiteto, Giuseppe Fiorelli, numa prova viva de que o homem é fruto de seu meio.

“Até o começo da Segunda Guerra Mundial, durante os verões, minha família se mudava para Capodimonte, uma vila do século 19, situada em um belo parque repleto de árvores e com vista para a baía de Nápoles. Esse local é, sem dúvida, a pedra fundamental da minha formação”, conta.

A casa de estilo neoclássico, na qual se hospedavam, era marcada por grandes janelas que se abriam para amplos terraços, escadarias de pedras, pátio interno e uma romântica capela onde eram realizadas missas aos domingos.

Contudo, em 1942 muitas mudanças aconteceram. Depois de seus quatro irmãos mais velhos serem enviados para fronts de batalha, Pace, seus pais e os empregados da família tiveram que se mudar para uma cidadezinha a cerca de 100 km de Nápoles, por causa dos bombardeios.

“Era uma aldeia de 1400, localizada em uma lindíssima região montanhosa. A praça parecia um enorme pátio cercado por austeras construções de arquitetura itálica e cunho popular. Devo ter assimilado aquele contexto arquitetônico que se desenvolveu durante séculos conforme a necessidade dos habitantes.”

Somente em 1945, quando a guerra acabou, todos puderam retornar para a cidade natal e para o prédio construído por seu próprio pai, no qual moravam. Nessa época, veio à tona a aptidão pelo design de interiores. “Fazia a arrumação dos móveis daqueles ambientes suntuosos do período pré-guerra, criando novos cenários. Minha decoração mudava a cada oportunidade e meu pai divertia-se muito com essa brincadeira”, comenta.

No mesmo período, Pace foi estudar no Instituto di Belle Arti de Nápoli e durante algumas horas do dia trabalhava no escritório de seu pai. Segundo ele, foi uma fase memorável, a vida social, cultural e artística nas cidades italianas era intensa.

“Tudo caminhava bem, não imaginava nenhuma mudança, mas em 1948 uma brincadeira do destino me trouxe ao Brasil. Era para passaria somente dois meses de férias no Rio de Janeiro, mas acabei ficando para sempre”, lembra.

Três anos depois, mudou-se para a capital paulista e associou-se a Fernando Medeiros, um colecionador de antiguidades português. “Abrimos a loja Antiqua, o que colaborou bastante para minha formação no campo das artes e antiquários.”

Eles foram os primeiros a propor ao público que usassem peças européias originais na decoração, pois, até então, imperavam os móveis e acessórios do período colonial e réplicas francesas da Belle Époque.

No ano de 1960, junto com Pietro Maria Bardi, inaugurou em Roma uma galeria de arte, a Studio A, que abrigou obras de grandes artistas como Pablo Picasso, Renoir, Modigliani, entre outros. “Foi um período de idas e vindas entre Brasil e Itália, até que, em 1966, abri meu escritório de arquitetura em São Paulo, a Construtora Ugo di Pace. Desde então, foram mais de 1.300 obras realizadas no País e no exterior.”

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