Estrutura metálica sai dos portos para dar espaço a moradias modernas e aconchegantes

Depois das escolas de lata e das pop-up stores, o mercado brasileiro resolveu adotar novos usos para os contêineres, antes reservados às áreas portuárias para o armazenamento de cargas. Assim como em diferentes partes do mundo, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, bares, lojas, restaurantes e hotéis surgem dentro da estrutura de aço, como forma alternativa e sustentável de instalar o novo negócio.

Casas-contêineres começam a ganhar força no mercado brasileiro
Divulgação
Casas-contêineres começam a ganhar força no mercado brasileiro
Mas a ideia começa a ir além e dar origem a casas-contêineres, que não deixam nada a desejar em conforto , qualidade de vida e bem-estar a uma construção tradicional. É o que garante o arquiteto Danilo Corbas, que há quatro meses trocou seu apartamento de 70 m² em um bairro de São Paulo por uma casa-contêiner de 196 m².

Casa-contêiner do arquiteto Danilo Corbas é distribuída em dois pavimentos
Divulgação
Casa-contêiner do arquiteto Danilo Corbas é distribuída em dois pavimentos
Formada por quatro contêineres marítimos (de 12 metros de comprimento por 2,9 metros de largura), comprados em São Vicente, litoral paulista, a moradia é distribuída em dois pavimentos. A parte de baixo reúne salas de jantar e estar, cozinha , uma suíte de hóspedes, escritório e área de serviço . No piso superior, duas suítes.

“Após quase dois anos de pesquisas sobre habitações desse tipo fora do Brasil e sobre as tecnologias disponíveis para a viabilização arquitetônica e financeira pude, finalmente, desenvolver meu projeto”, afirma Corbas, que, mais do que uma estética industrial, queria desenvolver uma residência “ecofriendly”, na qual só fossem utilizados materiais reaproveitados, equipamentos e produtos sustentáveis e ecologicamente corretos . Além disso, queria que os entulhos aparecessem em menor quantidade e que a obra tivesse uma execução rápida.

“Além de reaproveitar a própria estrutura, fiz questão de reutilizar também materiais descartados, como vigas e perfis que foram garimpados em ferro velho”, diz o arquiteto, que pode economizar em recursos naturais, como areia, tijolo, cimento , água e ferro, não utilizados na construção. “Ao final, isso implica em uma obra mais limpa, com redução de entulho e outros materiais.”

Para garantir ainda mais a sustentabilidade do projeto, Corbas instalou telhado verde e telhas térmicas para auxiliar no isolamento térmico, utilizou paredes e forros de dry wall – o que contribuiu para a dimunição da sujeira e a vedação acústica –, instalou um sistema misto de aquecimento solar e outro para coleta e reutilização da água da chuva para irrigação do jardim, limpeza externa e máquina de lavar roupa.

Além de sustentável, o arquiteto ainda provou que em uma casa-contêiner é possível economizar mais energia. “Hoje, pago, em média, R$ 50 de conta de luz, um valor muito menor do que pagava no antigo apartamento . Mesmo o espaço sendo muito maior e eu e minha esposa trabalhamos em casa”, conta Corbas.

Para isso, o arquiteto utilizou ventilação cruzada, o que elimina a necessidade de ar-condicionado , recortou grandes e numerosas janelas pelas paredes de aço para não precisar da iluminação elétrica durante o dia e só utilizou lâmpadas LED .

A vivência

A arquiteta Lívia Ferraro, que no momento está finalizando o projeto de uma casa de veraneiro no sul de Florianópolis garante que morar em um contêiner é exatamente igual a uma casa normal. “Se fizer corretamente o tratamento térmico interno e externo com uma tinta refletiva à base de água, o conforto térmico será o mesmo de uma residência de alvenaria”, garante.

Outra preocupação de quem estuda ter uma casa-contêiner é a possibilidade de se levar choque durante uma tempestade, uma vez que a estrutura da residência será toda de metal. Mas, segundo Lívia, este risco não existe, uma vez que uma superfície eletrizada (no caso o contêiner de metal) possui campo elétrico nulo em seu interior (para saber mais, procure pela teoria da Gaiola de Faraday, conduzida por Michael Faraday, entre os séculos 18 e 19).

Assim como a arquiteta, Danilo Corbas também não vê diferença entre morar em uma casa normal e um contêiner. “As instações elétricas e hidráulicas são normais e o uso do wi-fi, por exemplo, também é da mesma forma”, afirma o arquiteto. “Eu apontaria apenas duas desvantagens: um barulho um pouco maior quando há chuva lateral, uma vez que os pingos caem diretamente no metal, e a questão estética, já que um contêiner ainda causa estranhamento para muita gente”, diz Corbas.

Segundo Lívia Ferraro, muitos residenciais, para manter um padrão de construção , ainda fazem uma série de restrições em termos de materiais utilizados na obra, mas isso não é limite para que a nova forma de moradia ganhe cada vez mais adeptos. “Esse público é crescente. Hoje, temos 10 projetos de casa-contêineres em andamento e um mailing de mais de 1.500 pessoas interessadas”, afirma a arquiteta, que também é uma das proprietárias da Fábrica Container Habitat, empresa que comercializa contêineres decorados em Santa Catarina.

Siga o iG Delas pelo Twiiter e fique por dentro das novidades em Arquitetura e Decoração

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.