Estrutura em concreto e vidro marca proposta ousada da FGMF para residência em Botucatu

Ter uma casa contemporânea, agradável e integrada ao jardim. Da solicitação aparentemente despretensiosa, do jovem casal de Botucatu, no interior paulista, surgiu um projeto ousado, que mistura volumes de alvenaria, madeira e vidro, sob uma imensa “casca”’ de concreto.

Madeira, vidro e concreto destacam-se na fachada lateral da casa em Botucatu, interior de São Paulo
Divulgação
Madeira, vidro e concreto destacam-se na fachada lateral da casa em Botucatu, interior de São Paulo

A experimentação é parte de um trabalho que o escritório FGMF (Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz Arquitetos) já vinha fazendo. “A gente gosta muito da ideia de integrar espaços internos e externos, sem demarcar limites. E como se trata de um condomínio fechado, com segurança, ficamos muito à vontade para criar”, conta o arquiteto Fernando Forte.

Casca de concreto

Forte chama de “casca” o conjunto formado pela cobertura de concreto e pelos pilares do mesmo material, que a sustentam. A inspiração veio da arquitetura brutalista dos anos 60, presente, principalmente, nos trabalhos de Vilanova Artigas e Paulo Mendes da Rocha, arquitetos que valorizaram o concreto e a estrutura da construção, muitas vezes deixada à mostra.

No interior do imenso volume geométrico, paredes de vidro separam as áreas interna e externa. “A intenção foi justamente usar a transparência para suavizar esse limite”, afirma Forte.

Salas de estar e jantar são totalmente integradas no projeto da FGMF
Divulgação
Salas de estar e jantar são totalmente integradas no projeto da FGMF
Paredes de alvenaria com pintura preta demarcam a cozinha e a área de serviço e compõem com os pilares pretos, que assumem função estética no centro da construção.

O volume de madeira fica no piso superior e garante privacidade e aconchego aos três quartos e ao banheiro. A luz entra através de brises na fachada lateral, que neste ponto ultrapassa os limites das paredes de vidro. “Com esses volumes meio caóticos, trabalhamos em cima do questionamento sobre o que está dentro e o que está fora”, explica Forte.

A cobertura de concreto abriga ainda a varanda e um trecho da piscina, que vai do jardim à área social interna, uma sala envidraçada com pé-direito duplo. Ali, a piscina se converte em espelho d’água, com ilhas para abrigar plantas.

Jardim alternativo

A passarela metálica liga o piso superior ao segundo nível do jardim. O projeto prevê a plantação de árvores frutíferas no local
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A passarela metálica liga o piso superior ao segundo nível do jardim. O projeto prevê a plantação de árvores frutíferas no local
O verde está também no talude de grama que delimita o terreno. “E como as paredes são de vidro, o jardim ‘entra’ na casa”, diz o arquiteto. O talude foi posicionado apenas em um dos lados da residência – na lateral do terreno, de frente para a varanda – para garantir o acesso livre pela rua.

Uma passarela metálica liga o piso superior da casa ao topo do talude, área reservada para o plantio de árvores frutíferas. “Esse espaço possibilita um passeio pelo jardim em um segundo nível”, explica Forte.

Soluções sustentáveis

Painéis de aquecimento solar revestem a cobertura de concreto. O calor ali armazenado pode ser usado para aquecer a água e o ar no interior do imóvel.

A água da chuva é captada também na cobertura, de onde segue para uma cisterna. A água pode, então, ser usada nas descargas sanitárias e na irrigação do jardim.









Serviço

Forte, Gimenes & Marcondes Ferraz Arquitetos
Rua Mourato Coelho, 923, Vila Madalena – São Paulo (SP)
Tel: (11) 3032-2826

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