Uso racional de recursos naturais norteia projetos expostos no Museu de Arte Moderna de SP

Soluções sustentáveis adotadas por arquitetos do Brasil e do mundo são tema das duas exposições que ocupam, até 26 de junho, as duas salas do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP).

“Morada Ecológica” tem curadoria da arquiteta francesa Dominique Gauzin-Müller, que lançou o livro “Arquitetura Ecológica” (Editora Senac São Paulo). A exposição aborda as principais inovações da arquitetura contemporânea e a forma como a sustentabilidade tem influenciado a maneira de pensar as construções e o desenvolvimento urbano.

São mais de 50 projetos que trazem à tona a necessidade de preservação das já escassas reservas naturais em todo o mundo. Entre os autores, figuram nomes como o norte-americano Frank Loyd Wright (1868-1959) e o baiano José Zanine (1919-2001), considerados precursores do pensamento ecológico na arquitetura .

Os projetos mais recentes vêm imbuídos de um conceito de arquitetura sustentável que leva em conta não apenas a preservação da natureza, mas também o papel do indivíduo na sociedade. Trabalhos de Sarah Wiggleworth e Jeremy Till (Inglaterra), Walter Uterrainer (Áustria) e Alejandro Aravena (Chile) são destaque por aliarem procedimentos tradicionais da arquitetura regional de seus países a recursos mais modernos.

Um pouquinho de Brasil

Em exposição no MAM, projetos como o do escritório Andrade Morettin, de 2007
Divulgação
Em exposição no MAM, projetos como o do escritório Andrade Morettin, de 2007
Já a mostra “Razão e Ambiente”, sob curadoria de Lauro Cavalcanti, tem Lina Bo Bardi (1914-1992), Sergio Bernardes (1919-2002) e Lucio Costa (1902-1998) como figuras centrais. Seus trabalhos, considerados ícones da arquitetura modernista produzida no Brasil, priorizavam a integração do homem com o ambiente e já traziam a questão da sustentabilidade em seu DNA.

Aberturas estratégicas, como vãos e brises-soleil , surgiam como soluções estéticas, que garantiam o conforto térmico – tão essencial em tempos de economia de energia –, enquanto o uso de matérias-primas naturais locais, como palha, madeira e pedra, já sinalizavam para a necessidade de economia de combustíveis utilizados no transporte.

Um dos destaques da exposição – que por meio de projeções, vídeos, frases e reflexões de arquitetos contemporâneos tenta fugir do tradicional universo das plantas e maquetes –, é a instalação Riposatevi, concebida originalmente por Lucio Costa para a Trienal de Arquitetura de Milão de 1964. Sua remontagem converteu-se em um grande espaço onde os espectadores são convidados a deitar-se em redes suspensas e contemplar a mostra por um outro ângulo.

Do cenário arquitetônico atual chamam atenção os trabalhos dos escritórios MMBB, Bernardes e Jacobsen, Andrade Morettin , Indio da Costa, Gustavo Penna e Anima Arquitetura. Entre os projetos expostos, estão a sede de uma companhia mineradora, que conta com um enorme jardim , no Rio de Janeiro, a revitalização da região de um córrego em uma favela paulistana e a implementação do Parque da Juventude, que permitiu que as plantas dominassem as carcaças dos prédios que restaram da demolição do presídio do Carandiru.






Serviço:
“Morada Ecológica” e “Razão e Ambiente”
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP)
Endereço: Parque do Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portão 3)
Tel: (11) 5085-1300
Visitação: de terça a domingo, das 10h às 17h30
Data: até 26 de junho
Ingresso: R$ 5,50 (sócios do MAM, crianças de até 10 anos e adultos com mais de 65 anos não pagam entrada. Aos domingos, a entrada é gratuita para todo o público)

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