Premiado por seus projetos futurísticos, o arquiteto italiano Simone Micheli defende a criação de projetos éticos e sustentáveis

Responsável por revitalizar a região de Varedo, onde acontecerá a Expo Milão 2015, terceiro maior evento internacional do mundo, atrás apenas dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo, o arquiteto italiano Simone Michele participou ontem do evento Casa Cor Stars , realizado no hotel Sheraton WTC, em São Paulo. A uma plateia repleta de arquitetos, decoradores e designers de interiores ele defendeu a criação de projetos éticos, sustentáveis e que emocionem.

Um dos projetos mais recentes de Simone Micheli a ganhar noteriedade foi sua própria residência, em Florença
Divulgação
Um dos projetos mais recentes de Simone Micheli a ganhar noteriedade foi sua própria residência, em Florença
“É preciso pensar ‘out of de box’ (fora da caixa), ir ao infinito, sair da escala e da norma, sem perder a coerência, para fazer coisas incríveis e emocionar com experiências completas”, afirma Michele. Prova disso é o premiado projeto do Atomic Spa Suisse , implantado no hotel Boscolo Exedra, em Milão , onde ele dá aulas de polidesign na conceituada Escola Politécnica. Por todos os ambientes, “bolhas espelhadas” parecem sair do teto e das paredes, dando a sensação de que o cliente está o tempo todo mergulhado em uma confortável banheira de espuma. “A coerência pode fazer algo entrar na memória das pessoas. Quando não há nada dissonante, aquilo se torna uma experiência completa, emocionante.”

O arquiteto italiano Simone Micheli
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O arquiteto italiano Simone Micheli
Um verdadeiro contador de histórias, o arquiteto valeu-se de diversos cases – de sucesso ou não – para narrar suas experiências e ilustrar suas crenças. Para ele, a arquitetura contemporânea deve estar ligada ao futuro dos seres humanos e das regiões, de forma a dialogar, interagir e impulsioná-los, como fez Frank Gehry com o museu Guggenheim, na então degradada Bilbao, na Espanha.


Veja no infográfico como construir uma casa sustentável.


“É preciso pensar em operações inteligentes também do ponto de vista do empreendedorismo. O projeto deste museu, por exemplo, mudou a estrutura da cidade toda”, diz. “Isso é ser sustentável . Trabalhar de forma que a vida continue e as relações entre as pessoas e os espaços sejam estimuladas”, completa.

Mas o pensamento ecológico de Micheli não se atêm a materiais e soluções arquitetônicas simples. Vai além. “Os projetos precisam ser economicamente sustentáveis também. Não há nada de sustentável e ético em movimentar 60 milhões de euros para fazer um hotel de 300 quartos”, completa. Para ele, os dois conceitos – ética e sustentabilidade – estão intimamente ligados.


Irrequieto, Michele garante que desenha o tempo todo, e não para encontrar uma ideia, mas para colocar para fora suas visões. Entre elas está sua concepção do futuro da arquitetura : “ele está ligado à comunicação, a espaços mutantes, híbridos, camaleônicos, para acompanhar a velocidade das relações humanas”.

Aos mais jovens, ele deixou um conselho básico, jamais abrir mão de seus sonhos por causa do dinheiro. “É preciso escutar a si mesmo e trabalhar com suas entranhas, seus sentimentos. Afinal, a arquitetura não faz projetos, reproduz sonhos” .

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